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Rennes-le-Château e Berenger Saunière

Uma minúscula cidadezinha francesa, Rennes-le-Château, recebeu no dia primeiro de julho de 1885 um novo pároco: Berenger Saunière, um homem de 33 anos, robusto, atraente, energético e brilhante. No seminário, parecia estar destinado a uma carreira eclesiástica promissora. Certamente, almejava algo mais importante que uma cidadezinha remota no topo de uma colina ao leste dos Pirineus, mas em algum momento ele deve ter caído no desagrado de seus superiores. Se fez alguma coisa para merecer isso não sabemos, mas o fato é que perdeu todas as chances de promoção.

Talvez para se livrarem dele, o enviaram a Rennes-le-Château. Naquele tempo Rennes-Ie-Château abrigava apenas duzentas pessoas. Era um pequeno povoado pendurado no topo da serra a 40 km de Carcassonne.

O lugar teria significado o exílio para um outro homem, uma condenação perpétua a viver em um fim-demundo, longe das amenidades urbanas da época, longe de qualquer estímulo para uma mentalidade vigorosa e questionadora. A ambição de Saunière sem dúvida sofreu um golpe. Entretanto, houve compensações. Saunière era originário da região, pois nascera e crescera perto dali, na cidade de Montagels. Apesar de tudo, Rennes-le-Château deve ter-lhe proporcionado o conforto da familiaridade, do sentimento de estar em casa.
O salário de Saunière, entre 1885 e 1891, foi, em francos, o equivalente a seis libras esterlinas por ano – longe de significar opulência, mas muito mais do que se esperaria para um pároco rural na França do final do século XIX. Somado às gratuidades oferecidas pelos habitantes da paróquia, tais rendimentos seriam suficientes para viver bem, sem extravagâncias. Saunière levou uma vida agradável e plácida durante seis anos, caçando e pescando nas montanhas e rios de sua infância. Leu vorazmente, aperfeiçoou seu latim, aprendeu grego e embarcou no estudo do hebraico. Uma camponesa de dezoito anos chamada Marie Denarnaud, sua servente e governanta, foi para ele companhia e confidente durante toda a vida. Ele visitava com freqüência seu amigo Henry Boudet, pároco da vizinha cidade de Rennes-le-Bains, sob a tutela do qual mergulhou na turbulenta história da região, uma história cujos
resíduos se apresentavam constantemente ao seu redor.
A poucos quilômetros a sudoeste de Rennes-le-Château surgia outro pico, chamado Bézu, coberto pelas ruínas de uma fortaleza medieval, antiga morada de templários. Sobre um terceiro pico, a cerca de 2km de Rennes-le-Château, se erguiam as ruínas do castelo de Blanchefort, lar ancestral de Bertrand de Blanchefort, quarto grão-mestre dos templários, que presidiu a famosa ordem em meados do século XII. Rennes-Ie-Château se situava numa antiga rota de peregrinação que ia do nordeste da Europa até Santiago de Compostela, na Espanha. A região era mergulhada em lendas evocativas, em ecos de um passado dramático, freqüentemente embebido em sangue.
Saunière vinha querendo havia já algum tempo restaurar a igreja local. O edifício, consagrado a Madalena em 1059, repousava sobre fundações de uma estrutura visigótica ainda mais velha, datada do século VI. Não se admira então que estivesse em péssimo estado de conservação. Encorajado por seu amigo Boudet, Saunière iniciou em 1891 uma restauração modesta, utilizando uma pequena soma emprestada dos fundos municipais. Durante os trabalhos, removeu o altar-mor, uma pedra que repousava sobre duas antigas colunas visigóticas. Uma dessas colunas revelou-se oca. Dentro dela havia quatro pergaminhos guardados em tubos de madeira selados. Dois desses pergaminhos continham genealogias, uma datada de 1244 e outra de 1644. Os dois documentos restantes haviam sido compostos, aparentemente, nos idos de 1780, por Antoine Bigou, um dos predecessores de Saunière em Rennes-le-Château. Bigou havia sido também capelão pessoal da família nobre Blanchefort, que no início da Revolução Francesa ainda era uma das mais importantes donas de terras da região.
Os dois pergaminhos do tempo de Bigou eram textos virtuosos em latim, extraídos do Novo Testamento. Pelo menos, aparentavam isso. Em um deles, no entanto, as palavras se seguiam de forma incoerente, sem espaço entre elas. Várias letras supérfluas haviam sido inscritas. No segundo pergaminho as linhas eram truncadas de forma indiscriminada e irregular, algumas no meio de uma palavra, enquanto certas letras estavam evidentemente levantadas acima das outras. Na realidade, os pergaminhos continham uma seqüência de códigos e cifras, alguns deles fantasticamente complexos e imprevisíveis. Sem a chave certa, eram indecifráveis. A seguinte decodificação surgiu em trabalhos franceses dedicados a Rennes-Ie-Château, e em dois de nossos filmes sobre o assunto, realizados para a BBC.

BERGERE PAS DE TENTATION QUE POUSSIN TENIERS GARDENT LA CLEF PAX DCLXXXI PAR LA CROIX ET CE CHEVAL DE DIEU J’ACHEVE CE DAEMON DE GARDIEN A MIDI POMMES BLEUES.*

* Pastor, nenhuma tentação. Que Poussin, Teniers possuem a chave. Paz DCLXXXI (681). Pela cruz e seu cavalo de Deus, eu completo (ou destruo) este demônio do guardião ao meio-dia. Maçãs azuis.
Se algumas dessas cifras eram desencorajadoras em sua complexidade, outras eram patentemente, mesmo flagrantemente, óbvias. No segundo pergaminho, por exemplo, as letras levantadas, quando tomadas em seqüência, formavam uma mensagem coerente.

A DAGOBERT ROI ET A SION EST CE TRESOR ET IL EST LA MORT.*
* A Dagobert rei e a Sion pertencem este tesouro e ele está aqui morto.

Embora esta mensagem deva ter sido compreensível para Saunière, é de se duvidar que ele possa ter decifrado os códigos mais intricados. Entretanto, ele percebeu que havia tropeçado em algo importante. Com o consentimento do prefeito da cidade, levou sua descoberta até seu superior, o bispo de Carcassonne. Não se sabe o quanto o bispo entendeu, mas Saunière foi imediatamente enviado a Paris – despesas pagas pelo bispo -, instruído a se apresentar a algumas autoridades eclesiásticas com os pergaminhos. Entre elas estavam o abade Biel, diretor-geral do Seminário Saint Sulpice, e seu sobrinho Emile Hoffet, que naquele tempo estava aspirando à vida religiosa. Embora ainda estivesse nos seus vinte anos, ele já havia estabelecido uma reputação intelectual impressionante, especialmente em lingüística, criptografia e paleografia. A despeito de sua vocação pastoral, ele era sabidamente envolvido com o
pensamento esotérico e mantinha relações cordiais com os vários grupos orientados para o oculto, além de seitas e sociedades secretas que proliferavam na capital francesa. Estes contatos introduziram Saunière em um círculo cultural ilustre, que incluía figuras literárias como Stéphane Mallarmé e Maurice Maeterlinck, bem como o compositor Claude Debussy. Ele também conheceu Emma Calvé que recentemente havia retornado de apresentações triunfantes em Londres e Windsor. Emma Calvé era como uma diva, a Maria Callas da época. Ao mesmo tempo, era uma grande pitonisa da sub-cultura esotérica parisiense, mantendo relações amorosas com vários ocultistas influentes.
Após apresentar-se a Bieil e Hoffet, Saunière passou três semanas em Paris. O resultado de suas reuniões com os eclesiásticos é um mistério. O que se sabe é que o padre provinciano foi pronta e calorosamente recebido no distinto círculo de Hoffet. Afirma-se mesmo que ele se tornou amante de Emma Calvé, que, segundo um conhecido seu, ficou “obcecada” pelo padre. De qualquer modo, não há dúvida de que eles gozaram de uma estreita e longa amizade.
Nos anos que se seguiram, ela o visitou freqüentemente nas vizinhanças de Rennes-Ie-Château, onde, até recentemente, podiam se encontrar corações românticos gravados com suas iniciais nas rochas das montanhas.
Durante a permanência em Paris, Saunière passou também algum tempo no Louvre, o que pode explicar o fato de, antes de sua partida, haver adquirido reproduções de três pinturas. Uma delas teria sido um retrato, pintado por um artista não identificado, do papa Celestino V, que reinou brevemente no final do século XIII. Outra teria sido o trabalho de David Teniers, não se sabe se o pai ou o filho. O terceiro seria um quadro – talvez o mais famoso – de Nicolas Poussin, Les Bergers d’Arcadie [“Os pastores da Arcádia”].
Ao voltar a Rennes-le-Château, Saunière completou a restauração da igreja. Teria exumado então um bloco de pedra, curiosamente esculpido, datado do século VII ou VIII, que estaria cobrindo uma câmara funerária na qual esqueletos teriam sido encontrados. Saunière embarcou também em projetos mais singulares. No jardim da igreja, por exemplo, havia o sepulcro de Marie, marquesa de Hautpoul de Blanchefort, desenhado e construído pelo abade Antoine Bigou, predecessor de Saunière, um século antes, aparentemente autor de dois dos misteriosos pergaminhos. A inscrição na pedra sepulcral – que incluía vários erros deliberados de soletração e de espaço – era um anagrama perfeito para a mensagem contida nos pergaminhos referindo-se a Poussin e Teniers. Quando as letras eram rearranjadas, formavam a asserção críptica. Os erros pareciam ter sido planejados precisamente com este fim.
Sem saber que as inscrições na tumba da marquesa já haviam sido copiadas, Saunière as obliterou, e essa profanação não foi o único comportamento curioso que ele exibiu. Acompanhado de sua fiel governanta, começou a fazer longas caminhadas pelo campo, coletando pedras sem nenhum valor ou interesse aparentes.
Também embarcou numa troca volumosa de cartas com correspondentes desconhecidos em toda a França, bem como na Alemanha, Suíça, Itália, Áustria e Espanha. Começou a colecionar pilhas de selos sem valor e efetuou transações suspeitas com vários bancos. Um deles até enviou um representante, que viajou de Paris a Rennes-le-Château com o único objetivo de tratar de negócios com Saunière.
Só com despesas de correio Saunière estava gastando mais do que seu salário poderia cobrir. E em 1896 ele começou a gastar verdadeiramente, numa escala surpreendente e sem precedentes. Ao final de sua vida, em 1917, suas despesas haviam atingido o equivalente a vários milhões de dólares.
Uma parte dessa inexplicada riqueza foi empregada em excelentes obras públicas – a construção de uma rodovia moderna até a cidade, por exemplo, e a introdução de facilidades para água corrente.
Outras despesas foram mais quixotescas. Uma torre foi levantada, a Torre Magdala, com vista para a montanha. Uma opulenta casa de campo foi construída, chamada Villa Bethania, que Saunière pessoalmente nunca ocupou. E a igreja não só foi decorada de novo, como o foi de um modo muito bizarro. No pórtico, acima da entrada, a seguinte inscrição foi gravada:
TERRIBILlS EST LOCUS ISTE. *
** Este local é terrível.

    

No interior, logo na entrada, foi erigida uma estátua horrenda, uma representação do demônio Asmodeus – detentor de segredos, guardião de tesouros escondidos e, segundo antiga lenda judaica, construtor do Templo de Salomão. Nas paredes da igreja, placas ostensivamente pintadas representavam as estações da Via Sacra.

Cada uma delas era caracterizada por alguma estranha inconsistência, algum detalhe inexplicável, algum desvio, flagrante ou sutil, da narrativa oficial das Escrituras. Na estação VIII, por exemplo, havia uma criança envolta em uma capa escocesa. Na estação XIV, que retrata o corpo de Jesus sendo levado à tumba, aparecia um fundo de céu noturno, escuro, dominado por uma lua cheia. Como se Saunière estivesse tentando dizer algo. Mas o quê? Que o enterro de Jesus ocorreu após o início da noite, várias horas depois do que diz a Bíblia? Ou que o corpo estaria sendo levado para fora da tumba e não para dentro dela?
Enquanto realizava esses adornos curiosos, Saunière continuou a gastar de maneira extravagante, colecionando porcelana rara, tecidos preciosos e mármores antigos, criando um jardim e um zoológico e reunindo uma biblioteca magnífica. Pouco antes de sua morte ele estava, supostamente, planejando a construção de uma torre como a de BabeI, forrada de livros, de onde pretendia pregar. Seus paroquianos tampouco foram negligenciados. Saunière lhes
presenteava com banquetes suntuosos e outras generosidades, mantendo assim o estilo de vida de um potentado. Em seu remoto e ao mesmo tempo próximo e inacessível ninho de águia, recebia inúmeros hóspedes ilustres. Um deles, é claro, era Emma Calvé. Outro era o ministro da Cultura do governo francês. Talvez o mais augusto visitante do desconhecido padre provinciano tenha sido o arquiduque Johann Von Habsburgo, um primo de Franz Josef, imperador da Áustria. Extratos bancários revelaram depois que Saunière e o arquiduque haviam aberto contas no mesmo dia, e que este último havia transferido para a conta do primeiro uma soma substancial.
As autoridades eclesiásticas fizeram, no início, olhos de mercador sobre o assunto. Contudo, quando o superior de Saunière morreu, em Carcassonne, o novo bispo tentou chamar o padre à ordem. Saunière respondeu com uma desobediência inesperada e insolente. Recusou-se a explicar sua riqueza e a aceitar a transferência que o bispo ordenava. Na falta de uma acusação mais substancial, o bispo o acusou de vender missas ilicitamente, e um
tribunal local o suspendeu. Saunière apelou para o Vaticano, que o exonerou e depois o reinvestiu.
No dia 17 de janeiro de 1917, Saunière, então com 65 anos, sofreu um derrame cerebral. A data de 17 de janeiro talvez seja suspeita, pois também aparecia na tumba da marquesa de Hautpoul de Blanchefort, a tumba que Saunière havia erradicado. E 17 de janeiro é também a festa de Saint Sulpice, que reapareceria através de toda a nossa história. Foi no seminário de Saint Sulpice que ele confiou seus pergaminhos ao abade Bieil e a Emile Hoffet. O que torna o derrame de Saunière em 17 de janeiro mais suspeito é o fato de, cinco dias antes, em 12 de janeiro, seus paroquianos terem declarado que ele parecia estar gozando de uma saúde invejável para um homem de sua idade. Entretanto, em 12 de janeiro, segundo um recibo que está conosco, Marie Denarnaud encomendou um caixão para seu mestre.
Quando Saunière estava em seu leito de morte, o padre de uma paróquia vizinha foi chamado para ouvir sua última confissão e administrar a extrema-unção. O padre chegou e confinou-se no quarto do doente. De acordo com testemunhas oculares, ele saiu logo depois, visivelmente chocado. Nas palavras de algumas testemunhas, “nunca mais sorriu”. Nas palavras de outras, caiu em uma depressão profunda que durou vários meses. Se são afirmações exageradas não sabemos, mas o padre, presumivelmente com base na confissão de Saunière, recusou-se a administrar-lhe o último sacramento.
Em 22 de janeiro Saunière morreu sem o perdão da confissão. Na manhã seguinte seu corpo foi colocado verticalmente numa poltrona no terraço da Torre Magdala, envolto em uma indumentária enfeitadas de pingentes com franjas escarlate. Certas pessoas compadecidas e não identificadas desfilaram, uma a uma, muitas delas arrancando franjas dos pingentes como lembrança do morto.
Nunca houve qualquer explicação para tal cerimônia. Confrontados com ela, residentes atuais de Rennes-Ie-Château ficam tão aturdidos como qualquer outra pessoa. A leitura do testamento de Saunière foi esperada com grande
ansiedade. Para surpresa geral, contudo, ela revelou que não tinha nenhum tostão. Algum tempo antes de sua morte, aparentemente, transferira sua fortuna para Marie Denarnaud, que compartilhara de sua vida e de seus segredos por 32 anos. Ou talvez a maior parte daquela fortuna tenha estado em seu nome desde o início.
Depois da morte de seu mestre, Marie continuou a viver confortavelmente em VilIa Bethania até 1946. Depois da Segunda Guerra Mundial, entretanto, o governo francês recém-instalado estabeleceu uma nova moeda. Como meio de apreender sonegadores de impostos, colaboradores e especuladores do tempo da guerra, os cidadãos franceses eram obrigados a declarar seus rendimentos quando trocavam francos velhos por novos. Confrontada com a perspectiva de ser obrigada a dar explicações, Marie escolheu a pobreza. Foi vista no jardim da mansão, queimando
maços de notas de francos velhos.
Durante os sete anos seguintes, Marie viveu de forma austera, mantendo-se com o dinheiro obtido da venda de ViIla
Bethania.

Prometeu confiar ao comprador, Noel Corbu, antes de morrer, um segredo que o faria não só rico mas também poderoso. Em 29 de janeiro de 1953, entretanto, Marie, como seu mestre antes dela, sofreu um súbito e inesperado derrame cerebral que a deixou prostrada em seu leito, incapaz de falar. Para grande frustração do
senhor Corbu, ela morreu logo depois, carregando consigo o segredo.

Este texto continua…

Uma análise desde os primórdios da Ordem dos Templários

Há um ledo engano cometido ao analisar a história e trajetória dos Templários, pois a história, a oficial, foi, e sempre será escrita pelos vencedores. No início os Grão-mestres, mestres e membros do auto escalão templário era, por regra, pertencentes à hierarquia interna, todos iniciados nos grandes mistérios. Isso, iria mudar a partir da gestão do Grão-mestre Bertrand de Blancheford, de 1156 a 1169, que introduziu, de maneira errônea, uma nova prática usando a prerrogativa que o cargo lhe permitia e que causaria danos à conduta e à reputação da Ordem: poder escolher como Mestre do Templo um membro da hierarquia externa que, apesar de toda a experiência em batalha e de ter exercido altos cargos no reino de Jerusalém, não tinha o preparo necessário e o conhecimento iniciático para atuar de maneira satisfatória aos anseios e à verdadeira missão da Ordem. Foi a partir dessa decisão que, de maneira esporádica, mas emblemática, a prática de vícios, por alguns membros da Ordem pertencentes à hierarquia externa, de nepotismo, uma atitude arrogante e prepotente de alguns Mestres do Templo trouxeram à reputação dos Templários uma mácula que ainda hoje mancha de maneira injusta sua história e seus objetivos.

         Grão-mestre Bertrand de Blancheford, de 1156 a 1169

Essa atitude causou indignação na hierarquia interna da Ordem. Talvez por isso, a verdadeira e oculta Ordem não fez nada a respeito da perseguição aos Templários, pois essa seria uma maneira de purificá-la através do elemento fogo, devolvendo a fraternidade Templária aos seus objetivos nobres, com a destruição da apodrecida hierarquia externa. Assim, a Ordem decidiu, de maneira sábia, tornar-se uma sociedade secreta atuando com mais eficácia nos bastidores da história da humanidade.

A relação entre os Templários, Rosacruzes, cátaros e demais Ordens iniciáticas tem algo em comum. Toda informação até agora apresentada nos leva a uma única conclusão: a de que havia uma organização suprema que atuava, e talvez ainda atue, por traz de todas as Ordens citadas. Sempre nos bastidores da história, ela atua em todas as áreas da sociedade em nível mundial com o objetivo principal de reagrupar a Linhagem Merovíngia que, apesar de deposta no século VIII, não se extinguiu, sendo perpetuada em linha direta desde Dagoberto II, Sigesberto IV, Godofredo de Bouillon, Blanchefort, Gisors, Sinclair, Montesquieu, Montpézat, Poher, Luisignan, Plantard, Habsburgo e Lorraine.

CRONOLOGIA DOS REIS DE JERUSALÉM

1099 – 1100 – Godofredo de Bouillon

1100 – 1118 – Baldwin I

1118 – 1131 – Baldwin II

1131 – 1143 – Fulk

1143 – 1162 – Baldwin III

1162 – 1174 – Amalric I

1174 – 1185 – Baldwin IV

1185 – 1186 – Baldwin V

1186 – 1190 – Guy

1192 – 1197 – Henry

1198 – 1205 – Amalric II

1210 – 1225 – John of Brienne

1225 – 1228 – Frederick II

1228 – 1254 – Conrad

1254 – 1268 – Conradin

1268 – 1284 – Hugh III

1284 – 1285 – John I

1285 – 1291 – Henry II

Segundo René Grousset, o rei Balduíno I, era o irmão mais jovem de Godofredo de Bouillon, Duque de Lorraine, que foi o primeiro rei ocidental de Jerusalém, também afirma que essa linhagem seguia uma tradição real fundada sobre a rocha do Sinai e que Balduíno I devia sua ascensão ao trono à Ordem, cujo quartel general ficava na Abadia de Notre Dame do Monte Sinai, em Jerusalém. Imagine o tamanho poder que uma Ordem pode ter a ponto de colocar um rei no trono ou o depôr. Ao longo dos Dossiês Secretos, há várias referências aos Templários e à sua estreita ligação com o Priorado de Sião.

Segundo os documentos da Ordem, devido à volta do controle de Jerusalém para as mãos muçulmanas causada pela derrota em batalha, a Ordem de Sião e os Templários voltaram para França. Após se separar dos Templários em 1188, continuou a exercer um certo controle sobre os Cavaleiros do Templo, mas de maneira velada e autônoma. Já na França, a Ordem de Sião elegeu Jean Gisors como Grão-mestre e adotou para a Ordem o subtítulo de “Ormus”, que é um anagrama.

De acordo com os Dossiês Secretos, a sede da Ordem, a partir de 1306, estava situada na rua de Vienne, e lá havia túneis que se comunicavam, através de passagens subterrâneas, com o cemitério local e a capela subterrânea de SAINT CATHERINE.

Supostamente no Século XVI, a capela ou uma cripta adjacente teria se tornado o local onde eram guardados os arquivos do Priorado de Sião, em trinta cofres.

Na Segunda Guerra Mundial, durante a ocupação alemã, a cidade de Gisors recebeu uma equipe com uma missão especial: ordens provenientes diretamente de Berlim os instruía a realizar escavações arqueológicas sob a Capela de Saint Catherine.

A invasão da Normandia (Dia D) pelas forças aliadas abortou a missão desse grupo de elite criado por Hitler e Heinrich Himler (SS), cujo intuito era procurar e capturar relíquias sagradas pelo mundo. Em 1946, o operário francês Roger Lhomoy, sem motivos aparentes, fez, por iniciativa própria, escavações no local, comunicando ao prefeito de Gisors que havia encontrado uma capela subterrânea contendo treze sarcófagos de pedra e trinta cofres de metal. No entanto, o prefeito não se interessou pela descoberta e tudo foi esquecido temporariamente.

Em 1962, Roger Lhomoy voltou a escavar no local com a aprovação de André Malraux, ministro da cultura francesa. Nada foi encontrado, tudo havia desaparecido, com certeza transferido para outro lugar seguro e secreto, longe de olhos profanos.

A história secreta por trás dos verdadeiros objetivos da criação da Ordem dos Cavaleiros Templários

Há várias teorias a respeito dos tesouros encontrados pelos Templários e uma delas é que os verdadeiros não foram os artefatos do Templo, mas sim relíquias que pertencem a Jesus Cristo, incluindo os seus ossos.

Um dos maiores  segredos da humanidade é a verdadeira história do Santo Graal e o Priorado de Sião fixou para si mesmo a meta de preservar e registrar a Linhagem de Jesus e a Casa de Davi. Por todos os meios disponíveis, o Priorado de Sião tinha achado e recobrado as relíquias restantes.

Foram muitos os escritores e pesquisadores que estudaram e examinaram as vidas de Jesus e Maria Madalena à procura de pistas para o mistério do Graal. Alguns tentando realizar a pretensiosa tarefa de revisar a Bíblia, querendo corrigir as escrituras, e inevitavelmente, fracassando. O resultado a que chegaram foi de mais perguntas do que respostas.

Não há uma única pista crucial relativa ao mistério do Graal que possa ser explicada satisfatoriamente sob a perspectiva do cristianismo ortodoxo. Na verdade a história do Graal foi cristianizada para ocultar um legado que era completamente pagão.

O cavaleiro Franco Godofredo de Bouillon, fundador do Priorado de Sião, já teria conhecimento da verdadeira origem da Linhagem Merovíngia e de seus segredos. Teria sido esse conhecimento, o motivo do poder da organização, que foi a base que Hugues de Payens usou para fundar e legitimar a Ordem dos Cavaleiros Templários? E essa Ordem seria o braço armado do Priorado de Sião?

Fundada em 12 de junho de 1118, em Jerusalém, por Payens e Geofrey de Saint Omer, chamada de Pobres Cavaleiros de Cristo do Templo de Salomão, a Ordem dos Templários foi criada oficialmente para defender Jerusalém dos infiéis, guardar o Santo Sepulcro e proteger os peregrinos a caminho da Terra Santa.

A história secreta por trás dos verdadeiros objetivos da criação dessa Ordem, longe de ser fantasiosa, como querem crer e afirmar muitos críticos que têm como objetivo apenas auto-afirmar seus egos e provar que são os únicos possuidores da verdade originou-se muito antes das datas oficiais, abrangendo uma gama de assuntos que vão desde o Antigo Testamento, passando por Moisés, a Arca da Aliança, o Rei Davi, a construção do Templo de Salomão, a origem nobre de Jesus Cristo, a origem nobre de Maria Madalena, a Linhagem dos Merovíngios, a descoberta desses segredos por cavaleiros cruzados, a origem do Priorado de Sião até os dias atuais.

Finda a construção do Templo de Jerusalém, segundo as escrituras, Salomão finalmente cumpriu a tarefa que Deus havia delegado a seu pai, Davi, que, por ter manchado suas mãos com sangue, não pôde concluí-la – uma morada definitiva para a Arca da Aliança. O Templo era a casa do Senhor, edificado para a eterna habitação do Senhor, com a presença da Arca e das Tábuas da Lei como testemunhas.

O real valor da Arca não era apenas atribuído ao seu significado religioso, mas com certeza ao conteúdo iniciático e científico contigo provavelmente em pergaminhos, artefatos e tratados a respeito de diversos assuntos, entre os quais biologia, física, arquitetura, engenharia, astronomia, navegação e metafísica, fora do alcance intelectual e teológico dos profanos da época de hoje. Esse conhecimento que remonta a tempos longínquos é a verdadeira Lei de Deus passada a Moisés, no Monte Sinai, pelos setenta anciãos do Sacro Colégio dos Iniciados.

É pouco difundido ( DE MANEIRA PROVIDENCIAL), o fato de Moisés ser iniciado nos Mistérios Antigos, embasados na tradição primordial, conhecimentos que lhe foram passados através de sua iniciação e da prática do oculto no antigo Egito. Essa é a natureza das informações que havia, e provavelmente há, nesses pergaminhos e tratados.

Todo conhecimento obtido ao longo dos séculos por teólogos e cabalistas judeus influenciou e orientou a elite dos Templários, que foi a Jerusalém para encontrar a arca e seu valioso e inestimável conteúdo. A meta era, colocar em prática a verdadeira Lei de Deus, chave dos segredos do universo visando o bem da humanidade.

Essa missão é correlata a procura do Santo Graal, objetivo que durante as décadas seguintes passou a ser alvo do interesse da literatura ocidental. O rei de Jerusalém, Balduíno II (1118-1131), hospedou Hughes de Payens e oito Cavaleiros Templários nos alojamentos da estrebarias do Templo de Salomão, onde ficaram por nove anos. Suas atividades e pesquisas permaneceram, e permanecem secretas. Eles retornaram à Europa vitoriosos e detentores dos grandes mistérios.

Há teorias compartilhadas por vários pesquisadores, que fazem a correlação da volta dos Templários trazendo os novos conhecimentos, com o início das construções das catedrais góticas, só possível por causa das informações sobre arquitetura e geometria sagradas contidas na Arca.

Um grupo secreto, os verdadeiros iniciados dos Templários, formados pela elite da Ordem, dispunha, por meio das informações contidas nas Tábuas da Lei de Deus, do conjunto de conhecimentos que ainda hoje está à frente e fora do alcance da humanidade.

Após o retorno dos Templários, houve não somente a sistematização racional da agricultura, como um avanço em suas técnicas. A arquitetura gótica inovadora embasada na geometria sagrada surgiu repentinamente, o que é no mínimo estranho, pois não houve um processo gradual até atingir o ápice do conhecimento e o pleno domínio de suas técnicas.

Numa visão geral, a repentina febre para construir catedrais, castelos e vários edifícios, quase que simultaneamente, deveria ter por trás um enorme planejamento com objetivo oculto e iniciático. Para isso, era necessário um exército de construtores especializados, engenheiros, arquitetos, escultores e pedreiros.

Até então, construções eram feitas com tecnologia e técnicas rudimentares, se comparadas  aos novos conhecimentos necessários para executar obras como aquelas que estavam sendo feitas, repletas não só de simbologia, mas utilizando a geometria sagrada, conceitos inovadores de edificação, estética e a construção em dimensões verdadeiramente grandes. A questão é, como esses artífices poderiam realizar tal obra? certamente era necessária a criação e a instrução de um novo tipo de construtor que tivesse a inteligência, o preparo e o conhecimento necessários para assimilar as informações não só técnicas, mas também iniciáticas. Esses construtores foram os pedreiros-livres, mais tarde chamados de maçons.

Há um simbolismo oculto nas catedrais construídas na Idade Média. Foram erigidas sete catedrais místicas na Europa, intencionalmente em locais sagrados para os Druídas dedicados a oráculos planetários. Há uma profecia que diz: “Quando os planetas se alinharem na mesma configuração com as catedrais, o tempo de transição da Nova Era terá chegado”.

Um exemplo do simbolismo oculto nas construções dessa época, é a Virgem retratada na fachada ocidental da Catedral de Chartres, que é chamada de Virgini Paritura, que quer dizer: a Virgem que vai dar à luz… Essa estátua não representa Maria ou o conceito bíblico de feminilidade, mas as Deusas arquetípicas da fertilidade e o sagrado feminino. Foram dedicadas ao Deus-Sol; a criança da escultura é Hórus e não Jesus. Outra grande prova de infiltração gnóstica e do oculto na igreja católica, é a Capela de Rosslyn, na Escócia, repleta de simbolismo pagão e construída com base na geometria sagrada.

                                                                 Virgini Paritura

Os Templários tinham vários objetivos além da conquista de Jerusalém e a proteção dos peregrinos que se dirigiam à Terra Santa. Montando seu quartel general nas ruínas do Templo de Salomão, segundo a lenda, encontraram túneis secretos que levavam a tesouros inestimáveis, como uma biblioteca oculta onde estavam guardados segredos de uma antiga Ordem secreta e iniciática da qual o rei Salomão era membro. Além de diversos segredos de construção, arquitetura e navegação. Também descobriram uma passagem secreta só conhecida por iniciados nos mistérios ocultos. Um corredor levava a uma porta de ouro maciço, com as seguintes inscrições:

“Se a curiosidade que aqui voz conduz, desisti e voltai. Se persistirdes em conhecer os mistérios da existência, fazei antes o vosso testamento e despedi-vos do mundo dos vivos”.

De acordo com a lenda, após hesitar, um dos cavaleiros bateu à porta dizendo: “Abri em nome de Cristo” e a porta abriu. Ao entrar o cavaleiro deparou-se com um ambiente de aparência etéria, com uma arquitetura repleta de geometria sagrada, estátuas, colunas, símbolos e um trono imponente feito de ouro, coberto de seda e, sobre ele, um triângulo que, no centro, tinha entalhado em alto relevo a décima letra hebraica YOD. Próximo aos degraus do trono, estava a Lei Sagrada, conjunto de tratados a respeito do que em termos atuais seria: teologia, arquitetura, astronomia, navegação, agricultura, alquimia, geometria sagrada, metalurgia, biologia, física quântica, etc…

Passa da meia noite e hoje depois de muito tempo, resolvi fazer um feitiço. O perfume da sálvia usada para fazer a limpeza do meu corpo e do ambiente permenece suave e as velas acesas clareiam meus pensamentos. Como é bom crescer, evoluir, mudar. Ninguém disse que é fácil, pois a mudança depende de dois fatores: Disposição e vontade. Não tenho sono algum e para ser sincera, tudo que desejo agora é permanecer acordada e curtir esta energia fantástica que me rodeia. Afinal, o universo está respondendo à atitude vibracional que estou emitindo.

Senti vontade de escrever para você leitor! Percebi ao verificar quais os assuntos mais procurados neste blog, que alguns de vocês não sabem da grande responsabilidade que é fazer feitiços. Saiba que, quanto mais se estuda sobre bruxaria, energias e ocultismo, menos feitiços se faz.

Bruxaria é muito mais do que isso. É uma busca constante por melhoria, por crescimento espiritual, por autoconhecimento. Bruxaria é conhecer seus ancestrais e buscar nas informações do passado, a resposta para nossos questionamentos do presente. Por isso, TENHA CUIDADO COM O QUE DESEJA, tenha cuidado ao fazer feitiços. Nunca esqueça que o bem ou o mal que você faz, volta na mesma proporção para você. Seja grato e o universo irá conspirar a seu favor.

Para um feitiço ter sucesso precisa:

  • Energia focada

  • Merecimento

  • Visualização

Não saia por aí, fazendo feitiços para tudo que deseja. Tenha responsabilidade e nunca, em hipótese alguma, mexa com o livre arbítrio das pessoas. Neste blog você nunca encontrará feitiços que possam prejudicar alguém, algum animal ou a própria natureza.

As bruxas têm seus sentidos apurados porque estão em conexão com a mãe natureza. Suas crenças não fazem de você uma pessoa melhor, suas atitudes sim! Portanto, você escolhe  o caminho a seguir. Use o tempo para aprimorar sua sabedoria. Sabedoria é um sentimento e não uma conquista.

Boa noite, bons sonhos e bons cursos na espiritualidade

Glândula pineal e abertura da consciência divina

                                                                Glândula pineal (3)

Localizada no centro do cérebro, na altura dos olhos, a Glândula Pineal é a conexão entre o plano físico e espiritual, uma fonte de energia etérica, que ativa “poderes sobrenaturais”. Descartes foi um grande místico de escolas iniciáticas e dizia que a Glândula Pineal é a glândula do saber, sede da alma no corpo físico, ponto de acesso às elevadas dimensões, estimulando nossa mente superior e desenvolvendo potenciais intelectuais. Já Nostradamus (nome iniciático, que em latim significa “Nossa Dama”, em serviço da grande Senhora), dizia que a glândula pineal é a antena mais fina e mais alta do nosso sistema nervoso central.

Como podemos observar, todas as escolas iniciáticas trabalham para desenvolver a glândula pineal. Mas porque razão? Vamos entender um pouco…

Ao ativarmos a Glandula Pineal, a energia cósmica desce, carregando com ela o intelecto superior, e assim como a poeira luminosa dos universos flui, as ideias divinas da Mente Divina, também. E então, a sua verdadeira natureza é revelada. Ambos os hemisférios cerebrais irão trabalhar harmônicamente, e o seu campo eletromagnético será estabilizado. Adentra-se o estado de silêncio interior, de não desejar, não julgar, não rotular, mas ser o puro silêncio da respiração, que o levará ao estágio de tornar-se “um” com a respiração da criação.

Quando falamos em ativar a Pineal, significa que esta glândula passará a funcionar como um portal de energia cósmica, o que nos habilita a interagir e trabalhar em planos elevados de consciência. A mente cósmica é onipresente em cada face da criação e você percebe que você é a mente cósmica, quando desvela isto em você. A “realidade” existe através de sua consciência, e não ao contrário.

Em 99, 9% dos humanos, a Pineal está atrofiada. Mas eu substituiria esta palavra por recolhida, pois nós estamos desnorteados, ou seja, não estamos alinhados com a energia lumínica, logo, estamos fora do eixo… o que causa a perda da conexão com o Eu Superior, privando-nos de um estado de completude divina.

Devido ao gradual desaparecimento da espiritualidade e do aumento da materialidade humanas, substituída a natureza espiritual pela física, o Terceiro Olho foi-se“petrificando”, atrofiando-se gradualmente, começou a perder suas faculdades e a visão espiritual tornou-se obscurecida.

Nos últimos tempos, vários estudiosos despertaram pela pesquisa mais profunda do grande mistério em torno da glândula pineal.

Sérgio Felipe de Oliveira, psiquiatra brasileiro, doutor em Neurociências, mestre em Ciências pela USP (Universidade de São Paulo) e destacado pesquisador na área da Psicobiofísica e física quântica, afirma que a pineal é um sensor capaz de ver o mundo espiritual e de coligá-lo à estrutura biológica. É uma glândula que vive no dualismo, matéria/espírito. Ela recolhe frequências de ondas de mundos sutis e decodifica para a mente do clarividente e este a interpreta com seu intelecto, com sua razão.

A dimensão espaço-tempo é a quarta dimensão. Então, a glândula que te dá a noção de tempo está em contato com a quarta dimensão. Nós vivemos em três dimensões e nos relacionamos com a quarta, através do tempo. A pineal é a única estrutura do corpo que transpõe essa dimensão, que é capaz de captar informações que estão além dessa dimensão nossa. A afirmação de Descartes, do ponto em que a alma se liga ao corpo, tem uma lógica até na questão física, que é esta glândula que lida com a outra dimensão, e isso é um fato.

O interesse pela glândula pineal vem de muito tempo. E selecionando algumas das inúmeras representações dessa glândula, espalhadas por toda a Europa, Egito antigo, Índia antiga pergunto: Você já parou para pensar o que significa aquela pinha localizada bem no topo da cabeça de Buda, por exemplo? E porque o Vaticano foi construído no pátio da pinha?

A pinha no topo da cabeça de alguns mestres são representações da glândula pineal e indica que estes alcançaram a iluminação, ou seja, estão alinhados ao mais elevado centro espiritual, formando uma linha mística da evolução do ser. Tudo porque sua glândula pineal está ativada e se expande através do chacra coronário.

O vaticano embora não admita conhece tudo de geometria sagrada, pois estavam em contato direto com os povos antigos e recolheram muitas informações dos cátaros, templários e místicos cristãos. Tudo é simbologia… o altar é colocado em local protegido energeticamente,  e eles sabem inclusive o tipo de madeira com que deve ser construído. Eles são os herdeiros do conhecimento e um exemplo disso, é a forma como o Vaticano foi construído.

Visto de cima, ele parece uma chave. Ele foi construído no Pátio da Pinha que é adornado com uma grande pinha na frente da sua entrada. O local escolhido é porque a catedral maior é o nosso cérebro e quem rege é a glândula pineal. Então eles fizeram fora, como é dentro. Na geometria sagrada!

Os Merovíngios

Os Descendentes dos visigodos deram origem à Dinastia Merovíngia. Na história oficial, essa dinastia acabou com a morte de Childerico III, em 755 d.C, mas, de acordo com o Priorado de Sião, à Linhagem Merovíngia sobreviveu, sendo perpetuada até a atualidade, a partir de, Sigisberto I, filho de Dagoberto II.

Os Merovíngios eram chamados “Reis dos cabelos longos”, pois seus cabelos continham suas virtudes e eram a essência do seu poder. Em 754 d.C., Childerico III, rei da Dinastia Merovíngia, foi preso e seus cabelos cortados por ordem do papa.

Eram iniciados nos mistérios antigos e nas ciências ocultas, conhecidos como grandes conhecedores do oculto e chamados de “Reis Bruxos”. Há relatos de que, devido a uma propriedade misteriosa e etérea presente no sangue desses monarcas, eles possuíam, em termos atuais, o dom de curar com as mãos, a clarividência, a telepatia e uma total integração com os animais e os elementos presentes na natureza.

Suas vestes eram ornadas com borlas douradas que diziam ter poderes curativos e mágicos. Em uma tumba merovíngia, foram encontrados objetos de extremo valor simbólico iniciático, como a cabeça dourada de um touro, uma bola de cristal, várias esculturas em miniatura de abelhas douradas. Os crânios desses monarcas apresentavam indícios de uma incisão ritual conhecida como Trepanação.

Eles eram considerados Reis-sacerdotes, a manifestação física do divino, condição correlata a dos faraós egípcios. Os membros da Dinastia Merovíngia, diziam-se descendentes de Noé que, segundo seus valores, era mais importante que Moisés, pois Noé era a fonte de toda a sabedoria contida na Bíblia. Pesquisas genealógicas traçaram uma linha de ascendência dos merovíngios até a Arcádia, na Grécia antiga. Segundo pesquisas, essa descendência era diretamente relacionada à casa real de Arcádia. Dizia também que seus membros haviam partido da Grécia, no período em que Jesus viveu, indo em direção à região onde hoje situam-se França e Alemanha.

Segundo textos apócrifos, não só era casada com Jesus como dessa união um filho foi gerado, havendo fortes indícios de que foi uma menina. Após a crucificação, José de Arimateia, Maria Madalena (trazendo a criança em seu ventre) e um grupo restrito fugiram da Terra Santa para a França. A Linhagem Merovíngia começou quando a descendente de Jesus e Maria Madalena casou-se com um aristocrata francês.

O Santo Graal (O Sangraal ou sangue real) é uma expressão medieval, cujo o significado era relacionado ao cálice usado por Jesus Cristo na última Ceia. No entanto, há outra interpretação para este termo: ele também designa uma descendência sanguínea  com Jesus, o “Sangraal”, ligado o Dinastia Merovíngia.

A Igreja Católica sempre monitorou  com atenção a Dinastia Merovíngia, pois além do grande poder exercido por seus monarcas, também havia suas crenças e práticas consideradas pagãs. Os preceitos estabelecidos pela Igreja não aceitam  e consideram heresia a ideia de Jesus ter casado e constituído uma família.

A origem do termo merovíngio é proveniente do primeiro monarca dessa Dinastia chamado Meroveu, rei dos Francos Sálios (447-457 d.C.). Seu Neto Clóvis foi o responsável pela conversão dos francos do Paganismo para o Cristianismo em 496 d.C. Também unificou os territórios que abrangiam os reinos de origem franca e derrotou em batalha os burginhões, os alamnos e os visigodos.

  

Childerico I  (filho de Meroveu)          Clóvis (Neto de Meroveu)

Os merovíngios eram considerados reis de direito. Na sucessão dos monarcas, não havia reis usurpadores, somente ocorriam através da linhagem legítima (ascendência sanguínea). Tornavam-se reis aos 12 anos de idade, sem cerimônia pública de coroação.

De acordo com a árvore genealógica dos merovíngios, nos Dossiês Secretos, um dos nomes que aparecem como parte da linhagem é o de uma antiga família francesa chamada Saint-Clair.

O príncipe Willian Saint-Clair construiu em 1446, uma famosa capela na Escócia, a Rosslyn Chapel, muitas vezes chamada de Capela do Graal. Segundo especialistas, essa capela foi construida usando-se conceitos de geometria sagrada. Tanto em seu exterior como em seu interior, é repleta de simbolismos, esculturas e alegorias de inspiração nos mistérios antigos e de esculturas egípcias, maçônicas, pagãs e bíblicas. Símbolos da antiga sabedoria não encontrados em qualquer outra capela do Século XV, figuras como “Green Man”, que representa a fertilidade na cultura celta.

                                             Rosslyn Chapel

                                                                         Green man

Ao longo das gerações merovíngias, vários monarcas sucederam-se no trono, e com o passar do tempo, seu poder foi enfraquecendo , pois os governantes cada vez mais delegavam poderes a homens que ocupavam cargos que em termos atuais, seria o de primeiro ministro, conhecido na época como prefeito ou mordomo do palácio. Entre os que se destacaram estavam: Carlos Martel e seu filho mais novo, Pepino III, o breve.

O último monarca merovíngio, Childerico III,  foi deposto por Pepino III em 751 d.C.

                                                                               Pepino III – O breve

 

Glândula pineal e a produção de melatonina

A glândula pineal está localizada no centro do cérebro, bem escondida. Ela tem a forma de pinha, do tamanho de uma uva passa. Ela é bioluminecente, brilhando na escuridão do cérebro e além de tudo é sensível a luz.

Curiosamente a anatomia da glândula consiste de uma lente, uma córnea e uma retina, tal como os nossos olhos. Então é por isso que os cientistas acadêmicos acreditam que num passado remoto, ela poderia ter sido um olho e que ela foi atrofiando.

Cientistas estão descobrindo o que os místicos dos tempos egípcios, dos templos hindus, dos templos da China antiga, dos Persas e outros já sabiam … que as doenças degenerativas bem como o envelhecimento do nosso corpo está associado ao hormônio melatonina. A melatonina é considerada pelos místicos o elixir da juventude.

A glândula pineal é profundamente ligada com a nossa presença divina e traz até o nosso cérebro essa luz, distribuindo para todo o nosso sistema nervoso. O que a ciência moderna ainda não sabe, é que nós podemos ter um pouco mais de controle sobre o elixir da juventude.  Para isso, temos que colocar a glândula pineal mais frequentemente em contato com a presença divina, para que ela consiga produzir a melatonina de forma mais abundante, mesmo quando o corpo físico estiver com mais idade. Uma das inúmeras formas é meditar na claridade do dia, no período da manhã. Mas se isso não for possível durante o dia, pode ser feito também à noite, desde de que com todas as luzes artificiais apagadas e sem a presença de espelhos. Dessa forma, a nossa glândula pineal também receberá a frequência lumínica.

A melatonina pode ser considerada como poderoso antioxidante ou antienvelhecimento, tanto pelos seus efeitos fisiológicos e farmacológicos, como pela ausência de efeitos colaterais. Vimos então, que os cientistas já relataram vários efeitos benéficos da melatonina, mesmo assim, ainda existe muito a ser estudado sobre este e outros hormônios e sobre a tão importante glândula pineal, considerada a caixa preta do nosso cérebro. Pouco conhecimento a ciência acadêmica tem sobre ela, seus hormônios e sobre sua atuação sobre os nossos corpos.

Aproveitando a deixa, vamos lembrar um pouco de uma história que faz parte da nossa evolução: Numa época distante, antes da Atlântida, existiram os Lemurianos também chamados de cíclopes, pois tinham um olho só. Estes, eram nós quando possuíamos corpos diferentes. Dessa forma, essa informação de que a glândula pineal tenha sido um olho, segundo os templos místicos é verdade, ela foi recolhendo e mudando o seu poder. Foi evoluindo.

Quando éramos cíclopes há anos atrás, víamos não apenas essa dimensão, mas principalmente outras. Aliás a terceira dimensão era a que menos percebíamos, pois este terceiro olho era um veículo com capacidade de colher frequências de ondas de luz de dimensões mais sutis, de velocidade maior. Como naquele período nós estávamos fazendo a descida para os mundos materiais, essa descida fez com que o olho mais sensível fosse se recolhendo e se dividisse em dois olhos, que é o mundo da dualidade.

Agora estamos fazendo a curva para subir novamente. Importante salientar que essa glândula apenas se recolheu, não deixando de exercer sua função. Ela continua sendo um olho. Só que um olho que percebe os mundos sutis a partir de dentro de nós, percebendo outras realidades.

Um grande número de pequenos cristais foram encontrados na glândula. São os chamados de microcristais de calcite, semelhantes as do ouvido interno, com qualidades de um campo elétrico. Se os cristais da glândula pineal possuem as mesmas qualidades, então, isso poderia fornecer um meio pelo qual um campo magnético externo pode influenciar diretamente o cérebro. 

Esses cristais eram velhos conhecidos pelos antigos templos de mistérios. Possuem a forma piramidal. Essa informação não consta nos estudos acadêmicos. Essa informação é perigosa, pois de posse dela podem existir pessoas que criem campos magnéticos externos para influenciar a minha glândula pineal de acordo com a vontade delas. Existem aparelhos que criam ondas que nos influenciam e devemos estar lúcidos de que isso existe. Pois algumas forças não dignas,  podem manipular nossa estrutura. Pode ser um exemplo disso, a insônia, confusão mental, síndromes e depressões, desenvolvendo doenças ainda mais sérias. Tudo isso com intuito de nos manipular.

Mas existe uma saída para que essa manipulação não nos atinja. Devemos nos conectar com hierarquias de luz. Não esqueçam de que a luz é maior que a escuridão.

A verdade por trás da simbologia de Leonardo Da Vinci

A obra de Leonardo da Vinci, A Última Ceia, é a única peça que resta da primitiva igreja de Santa Maria Delle Grazie, próxima de Milão, encontrando-se na única parede que permaneceu de pé depois de o bombardeamento aliado ter reduzido a escombros o resto do edifício, durante a segunda guerra mundial. Embora muitos outros artistas consagrados, como Ghirlandaio e Nicolas Poussin – mesmo um pintor idiossincrático como Salvador Dali – também tenham oferecido ao mundo a sua versão desta relevante cena bíblica, é a de Leonardo que, por alguma razão, mais tem prendido a imaginação. Por toda a parte se veem versões desta cena, tocando os dois extremos do espectro do gosto, desde o sublime ao ridículo.

Algumas imagens podem ser tão familiares que nunca são verdadeiramente examinadas e, embora estejam patentes ao olhar do observador e convidem a um exame mais minucioso, ao seu nível mais profundo e significativo elas permanecem, de fato, livros totalmente fechados. E o que sucede com a A Ultima Ceia de Leonardo – e, estranhamente, com todas as suas outras obras.

Seria a obra de Leonardo (1452-1519) – esse atormentado gênio da Itália renascentista – que nos arrastaria para um caminho que conduziu a descobertas tão assombrosas nas suas implicações que, a princípio, parecia impossível: impossível que gerações de acadêmicos não tivessem  observado o que saltava aos olhos – e impossível que uma informação tão explosiva tivesse permanecido pacientemente, durante todo este tempo, à espera de ser descoberta por alguns pesquisadores/escritores , à margem da corrente dominante da investigação histórica ou religiosa.

Assim, para começar a nossa história propriamente dita, temos de regressar à A Última Ceia de Leonardo e examiná-la com novo olhar. Este não é o momento para a considerar no contexto das familiares hipóteses histórico-artísticas. É o momento adequado para a examinar como um recém-chegado à mais familiar das cenas a olharia, para afastar dos olhos as vendas do preconceito e, talvez pela primeira vez, olhá-la verdadeiramente.

A figura central é, claro, a de Jesus, que Leonardo, nas suas notas para a obra, refere como « o Redentor». (No entanto, avisa-se o leitor para não fazer aqui suposições óbvias.) Contemplativo, Jesus olha para baixo e ligeiramente para a esquerda, com as mãos estendidas sobre a mesa, como se apresentasse uma dádiva ao observador. Como esta é a última Ceia, na qual, segundo o Novo Testamento, Jesus iniciou o sacramento do pão e do vinho, exortando os seus discípulos a partilhar deles como a sua « carne» e o seu « sangue» , seria razoável esperar que um cálice ou uma taça de vinho estivesse colocada em frente de Jesus, para ser abrangido por aquele gesto.

Afinal, para os cristãos, esta refeição teve lugar imediatamente antes da « Paixão» de Jesus, no jardim de Getsamane, quando Ele pediu fervorosamente que « este cálice se afaste de mim[…]» outra alusão à imagem vinho/sangue – também antes da sua morte por crucificação, quando o seu sangue foi derramado em nome de toda a Humanidade. Contudo, não há vinho em frente de Jesus (e apenas uma quantidade simbólica, em toda a mesa). Pode acontecer que aquelas mãos estendidas estejam a fazer o que, segundo os artistas, é essencialmente um gesto sem significado? À luz da ausência de vinho, talvez não seja por acaso que, de todo o pão que está sobre a mesa, muito pouco esteja realmente partido. Como Jesus identificou o pão com o seu próprio corpo, que ia ser despedaçado no sacrifício supremo, estará a ser transmitida alguma mensagem sutil acerca da verdadeira natureza do sofrimento de Jesus? Contudo, isto é apenas a ponta do icebergue da não-ortodoxia representada nesta pintura. No relato bíblico, é o jovem São João – conhecido pelo « Amado» – que está tão próximo de Jesus que se reclina « no seu peito» .

Contudo, na representação de Leonardo, este jovem não se reclina tanto, como exigia o « cenário» bíblico, mas inclina-se, afastando-se exageradamente do Redentor, com a cabeça quase provocantemente inclinada para a direita. Mas, no que diz respeito a esta personagem, isso não é tudo, porque devíamos perdoar aos que veem a pintura pela primeira vez por alimentarem estranhas incertezas quanto ao chamado São João. Porque, embora seja verdade que as predileções do artista tendiam a representar a epítome da beleza masculina como um tanto efeminada, certamente é para uma mulher que estamos a olhar. Tudo « nele» é surpreendentemente feminino. Embora o fresco possa estar envelhecido e desbotado, ainda se pode distinguir as mãos pequenas e graciosas, as feições bonitas e delicadas, o peito distintamente feminino e o colar de ouro. Esta mulher, porque seguramente é uma mulher, também usa roupas que a distinguem como sendo especial. Elas refletem a imagem das roupas do Redentor: enquanto um veste uma túnica azul e um manto vermelho, o outro veste uma túnica vermelha e um manto azul, de estilo idêntico. Mais nenhum dos presentes à mesa usa um traje que, desta maneira, reflita o de Jesus. Mas também mais nenhum dos presentes à mesa é uma mulher.

Central à composição global é a forma que Jesus e esta mulher constituem em conjunto – um M enorme e aberto, quase como se estivessem literalmente unidos na anca e se tivessem zangado ou se tivessem afastado. Tanto quanto sabemos, nenhum acadêmico se referiu a esta personagem feminina como não sendo São João, e a forma M ultrapassou-os. Leonardo era um excelente psicólogo que se divertia apresentando aos seus patronos, que o encarregavam de pintar cenas religiosas clássicas, imagens muito heterodoxas, sabendo que as pessoas encarariam com equanimidade as mais surpreendentes heresias porque, geralmente, elas só viam o que esperavam ver. Se formos encarregados de pintar uma cena cristã clássica e apresentarmos ao público algo que superficialmente pareça sê-lo, o seu simbolismo dúbio nunca será questionado. Contudo, Leonardo devia ter esperado que talvez outros, que partilhavam a sua invulgar interpretação do Novo Testamento, reconhecessem a sua versão ou que, um dia, alguém, algures, um observador objetivo, captasse a imagem desta misteriosa mulher ligada à letra M e fizesse as perguntas óbvias.

Quem era este M e por que razão era tão importante? Por que arriscaria Leonardo a sua reputação – mesmo a sua vida, naqueles tempos da pira funerária flamejante – para a incluir nesta crucial cena cristã? Fosse ela quem fosse, o seu próprio destino não parece estar seguro porque uma mão se atravessa em frente do seu pescoço, graciosamente inclinado, no que parece ser um gesto ameaçador.

Também o Redentor é ameaçado por um dedo indicador estendido, positivamente apontado ao seu rosto com óbvia veemência. Tanto Jesus como « M» parecem totalmente alheios a estas ameaças, aparentemente perdidos no mundo dos seus pensamentos, cada um, à sua maneira, sereno e calmo. Mas é como se símbolos secretos estivessem a ser usados, não apenas para avisar Jesus e a sua companheira dos seus destinos separados mas também para transmitir (ou talvez recordar) ao observador uma informação que, de outro modo, poderia ser perigoso tomar pública. Está Leonardo a usar esta pintura para transmitir alguma crença particular, que teria sido quase loucura partilhar com uma audiência mais vasta, de qualquer forma mais óbvia? E podia acontecer que essa crença tivesse uma mensagem para muito mais pessoas além do seu círculo imediato, talvez mesmo para nós, agora? Continuemos a examinar esta obra espantosa. À direita do observador do fresco, um homem alto, de barba, inclina-se exageradamente para falar com o último discípulo sentado à mesa. Ao inclinar-se, ele voltou completamente as costas ao Redentor.

É este discípulo – São Tadeu ou São Judas – que se admite ter por modelo o próprio Leonardo. Nada do que os pintores renascentistas representassem era acidental ou incluído simplesmente por razão estética, e este exemplar específico da sua época e da sua profissão era famoso por ser adepto do double entendre visual. (A sua preocupação de usar o modelo adequado a cada um dos vários discípulos pode detectar-se na sua perversa sugestão de que o irritante prior de Santa Maria posasse para o personagem de Judas!) Então, por que se representaria o próprio Leonardo a desviar o olhar de Jesus de forma tão óbvia? Há mais. Uma mão anômala aponta uma adaga ao estômago de um discípulo que uma pessoa separa de « M» . Por nenhum esforço de imaginação essa mão podia pertencer a alguém sentado àquela mesa, porque é fisicamente impossível aos que estão próximos terem-se voltado para colocar a adaga naquela posição. Contudo, o que é verdadeiramente espantoso nesta mão sem corpo não é tanto o facto de ela existir mas que em todas as nossas leituras sobre Leonardo apenas tivéssemos encontrado duas referências a essa mão, e que revelam uma estranha relutância em encontrar nela algo de anormal. Como o São João, que é realmente uma mulher, nada podia ser mais óbvio – e mais bizarro – logo que foi detectado, contudo ele é completamente ignorado pelo olhar e pela mente do observador, por ser tão extraordinário e tão chocante.

Ouvimos dizer, muitas vezes, que Leonardo era um cristão piedoso cujas pinturas religiosas refletiam a profundidade da sua fé. Mas pelo menos uma delas contém imagens altamente dúbias, em termos de ortodoxia cristã, e a revelação de pesquisadores revela que nada podia estar mais longe da verdade do que a ideia de que Leonardo era um verdadeiro crente – isto é, um crente em qualquer forma aceite ou aceitável do cristianismo. Nesta altura, as estranhas e anômalas características de uma única das suas obras parecem indicar que ele tentava revelar-nos outro estrato do significado daquela familiar cena bíblica, de outro mundo de fé, para além do desenho reconhecido da imagem fixada naquele mural do século XV próximo de Milão.

Seja qual for o significado dessas inclusões heterodoxas, elas estão, e não é demais acentuá-lo, em total desacordo com o cristianismo ortodoxo. Este fato não é novidade para os atuais materialistas/racionalistas porque, para eles, Leonardo foi o primeiro verdadeiro cientista, um homem que não tinha tempo para qualquer forma de superstições ou de religião, que era a verdadeira antítese do místico ou do ocultista. Mas também eles foram incapazes de ver o que estava claramente exposto aos seus olhos. Pintar A Última Ceia sem uma quantidade significativa de vinho é o mesmo que pintar o momento crítico de uma coroação sem a coroa: ou não atinge o objetivo ou atinge outro diferente, a ponto de o identificar como abertamente herético, alguém que possuía crenças religiosas, mas crenças que estavam em desacordo, talvez mesmo em guerra, com as da ortodoxia cristã. E descobrimos que outras obras de Leonardo sublinham as suas obsessões heréticas específicas, através de imagens cuidadosamente aplicadas e consistentes, o que não aconteceria se o artista fosse um ateu, simplesmente interessado em ganhar a vida. Estas inclusões e símbolos desnecessários são mais, muito mais, do que a resposta satírica do cético a este tipo de incumbências – não são o mesmo que pintar um nariz vermelho a São Pedro, por exemplo. O que estamos a ver na A Última Ceia, e noutras das suas obras, é o código secreto de Leonardo da Vinci, que julgamos ter uma importância espantosa para o mundo atual.

Pode discutir-se que tudo em que Leonardo acreditou ou não acreditou era apenas o ponto fraco de um homem, para mais um homem notavelmente excêntrico, cuja história estava cheia de paradoxos. Podia ter sido um solitário, mas era também o animador de um grupo; desprezava os cartomantes, mas as suas contas registram dinheiro pago a astrólogos; era vegetariano e afetuoso amigo dos animais, mas o seu afeto raramente se estendia à Humanidade; dissecava obsessivamente cadáveres e assistia às execuções com um olhar de anatomista; era um profundo pensador e um mestre de enigmas, de artes mágicas e de mistificação. Dado este complexo panorama, não seria de estranhar que as suas ideias pessoais sobre religião e filosofia fossem invulgares, mesmo sutis. Apenas por esta razão, podia ser tentador considerar as suas crenças heréticas como irrelevantes para o mundo atual. Enquanto, de modo geral, se admite que Leonardo tinha um enorme talento, a moderna tendência para um « historicismo» arrogante procura desvalorizar as suas realizações. Afinal, quando ele estava no apogeu, até a técnica de impressão era uma novidade. O que podia ter um inventor isolado desses tempos, tão primitivos, para oferecer a um mundo que é continuamente informado, navegando na Net, e que pode, numa questão de segundos, comunicar por telefone ou por fax com pessoas de continentes que ainda não tinham sido descobertos na sua época? Há duas respostas para esta pergunta. A primeira é que Leonardo não era, para usar um paradoxo, um gênio vulgar.

Dado que muitas pessoas sabem que ele desenhou máquinas voadoras e primitivos tanques militares, algumas das suas invenções eram tão inverossímeis para a sua época que algumas pessoas mais excêntricas sugeriram mesmo que ele devia ter tido visões do futuro. Os seus desenhos de uma bicicleta, por exemplo, só se tornaram conhecidos depois de 1960. Ao contrário das penosamente prolongadas fases de ensaio do aperfeiçoamento da primeira bicicleta vitoriana, a bicicleta de Da Vinci tinha duas rodas do mesmo tamanho, uma corrente e um mecanismo de engrenagem. Mas, ainda mais fascinante que o verdadeiro desenho, é saber, em primeiro lugar, o que o teria levado a inventar uma bicicleta. O homem sempre desejou voar como as aves, mas ter uma motivação para pedalar ao longo das estradas imperfeitas é completamente mistificador (e, ao contrário de voar, não figura em qualquer fábula clássica).

Leonardo também previu o telefone, entre muitas outras futuristas pretensões à fama. Se Leonardo foi um gênio ainda maior do que os livros de história admitem, resta saber que possível conhecimento podia ter possuído, e que causaria impacto, de forma significativa e prolongada, cinco séculos após a sua morte. Embora se possa discutir que os ensinamentos de um rabino do século I teriam menos relevância para o nosso tempo e lugar, também é verdade que algumas ideias são universais e eternas e que a verdade, se puder ser encontrada ou definida, nunca é essencialmente enfraquecida pela passagem dos séculos.

Não foi, contudo, nem a filosofia de Leonardo (quer evidente quer dissimulada) nem a sua arte que primeiro atraíram estudiosos para ele. Foi a sua obra muito paradoxal, uma obra que é incrivelmente famosa e, ao mesmo tempo, muito pouco conhecida. Foi o maestro que forjara o Sudário de Turim, que há muito se julgava ter sido miraculosamente impresso com a imagem de Jesus no momento da Sua morte.

Em 1998, os testes de carbono provaram a todos, exceto a um punhado de crentes desesperados, que o Sudário era um artefato do final da época medieval ou do princípio da época da Renascença, mas, para nós, ele permanecia uma imagem verdadeiramente notável – para não exagerar. O primordial era a questão da identidade do mistificador. Quem quer que tivesse criado esta espantosa « relíquia» , tinha de ser um gênio.

O Sudário de Turim, como toda a literatura – tanto a favor como contra a sua autenticidade –reconhece, comporta-se como uma fotografia. Ele exibe um curioso « efeito negativo» , o que parece uma vaga queimadura, a olho nu, mas que pode ser vista em nítido pormenor em negativo fotográfico. Porque nenhuma pintura conhecida se comporta deste modo, o efeito negativo tem sido considerado pelos « sudaristas» (crentes de que é verdadeiramente o Sudário de Jesus) como prova das qualidades milagrosas da imagem. Contudo, descobrimos que a imagem do Sudário de Turim se comporta como uma fotografia porque é isso exatamente que ele é.

Por incrível que possa parecer, a princípio, o Sudário de Turim é uma fotografia. Pesquisadores Lynn Picknett e Clive Prince, juntamente com Keith Prince, reconstituíram o que julgavam ser a técnica original e, ao fazê-lo, tornam-se as primeiras pessoas a reproduzir as características do Sudário de Turim, inexplicáveis até então. E, apesar de os sudaristas alegarem que isso era impossível, fizeram -no usando equipamento extremamente básico. Usaram uma câmara escura (uma câmara com um pequeno orifício), pano com revestimento químico, tratado com materiais facilmente disponíveis no século XV, e grandes doses de luz. Contudo, o objeto da experiência fotográfica foi o busto em estuque de uma rapariga, o qual, infelizmente, estava a anos-luz do estado do modelo original. Porque, embora o rosto do Sudário não fosse, como foi cabalmente demonstrado, o rosto de Jesus, ele era, de fato, o rosto do próprio mistificador. Em resumo, o Sudário de Turim é, entre muitas outras coisas, uma fotografia, com quinhentos anos, do próprio Leonardo da Vinci. Apesar de algumas curiosas alegações em contrário, isto não pode ter sido obra de um piedoso crente cristão. O Sudário de Turim, visto em negativo fotográfico, mostra o corpo despedaçado e sangrento de Jesus. Devemos lembrar que este não é um sangue comum, porque para os cristãos ele não é apenas literalmente divino: é também o veículo através do qual o mundo pode ser redimido. Na opinião de alguns estudiosos, não se pode forjar aquele sangue e ser considerado crente – nem se pode ter o mínimo respeito pela pessoa de Jesus e substituir a Sua imagem pela de si próprio.

Leonardo fez ambas as coisas, com cuidado meticuloso e mesmo, suspeita-se, com certo prazer. É claro que ele sabia que, como suposta imagem de Jesus – porque ninguém perceberia que era a do próprio Florentino-, o Sudário seria venerado por apreciável número de peregrinos, mesmo durante a sua vida. Pelo que sabemos, ele manteve-se na sombra, observando a veneração dos peregrinos – o que estava de acordo com o que conhecemos do seu caráter. Mas calcularia Leonardo o número de peregrinos que, ao longo dos séculos, fariam o sinal da cruz em frente da sua imagem? Imaginou que, algum dia, pessoas inteligentes se converteriam ao catolicismo simplesmente por olhar para aquele rosto belo e torturado? E poderia ele ter previsto que a imagem cultural que o Ocidente faz do aspecto de Jesus teria origem na imagem do Sudário de Turim? Teria percebido que, um dia, milhões de pessoas de todo o mundo adorariam a imagem de um herético homossexual do século XV em vez do seu amado Deus, que, literalmente, Leonardo Da Vinci ia tornar-se a imagem de Jesus Cristo? O Sudário esteve muito perto de ser a mais chocante – e bem sucedida – partida pregada à história. Mas, embora tenha enganado milhões, ele é mais do que um hino à mistificação de mau gosto. Pensamos que Leonardo aproveitou a oportunidade para criar a suprema relíquia cristã como veículo de duas coisas: uma técnica inovadora e uma fé herética codificada. Era muito perigoso – como os acontecimentos iriam mostrar – tornar pública a técnica da primitiva fotografia, naquela era paranoica e supersticiosa. Mas, sem dúvida, Leonardo divertiu-se ao assegurar que este protótipo estava ao cuidado dos sacerdotes que ele desprezava. É claro que era possível que esta irônica curadoria sacerdotal fosse pura coincidência, apenas um acidente fatal numa história já extraordinária, mas, para nós, ele sugere a paixão de Leonardo pelo controlo total que, como vemos aqui, se estendia para além da sepultura.

O Sudário de Turim, embora seja uma mistificação e uma obra de gênio, também contém certos símbolos que sublinham as obsessões pessoais de Leonardo, como em outras das suas obras, de modo geral, mais aprovadas. Por exemplo, na base do pescoço do homem do Sudário existe uma distinta linha de demarcação. Quando a imagem no seu todo, se transforma num « mapa de contornos» , usando a mais sofisticada tecnologia computarizada, vemos que a linha marca a extremidade inferior da imagem frontal da cabeça e existe como um mar de escuridão uniforme, sem imagem, imediatamente abaixo da linha, até que a imagem começa novamente na parte superior do tórax.

Acreditamos que há duas razões para este fato. Uma é puramente prática, porque a imagem frontal é um compósito; o corpo é o de um homem verdadeiramente crucificado, e o rosto é o de Leonardo, assim, essa linha, talvez necessária, indica a « junção» das duas imagens. Contudo, o mistificador não era um simples artífice, e ter-lhe-ia sido fácil obscurecer ou remediar aquela linha de demarcação denunciadora. E se Leonardo não desejasse, de fato, eliminá-la? E se a deixasse ali, deliberadamente, à consideração « dos que tivessem olhos para ver»? Que possível heresia pode conter o Sudário de Turim, mesmo em código? Certamente há um limite para os símbolos que se podem ocultar numa imagem simples e rígida de um homem nu crucificado – e uma imagem que já foi analisada pelos cientistas, usando o equipamento adequado? Embora na altura devida regressemos a este tema, digamos, por agora, que se pode responder a estas perguntas olhando, de novo, para dois aspectos fundamentais da imagem. O primeiro diz respeito à abundância de sangue vivo que parece correr livremente pelos braços de Jesus – e que pode parecer, superficialmente, contradizer a falta de vinho sobre a mesa da A Última Ceia, mas que, de fato, reforça este ponto particular. O segundo diz respeito à óbvia linha de demarcação entre a cabeça e o corpo, como se Leonardo estivesse a chamar a nossa atenção para uma decapitação… Tanto quanto sabemos, Jesus não foi decapitado e a imagem é um compósito, portanto, somos chamados a considerar as imagens de duas pessoas distintas que, no entanto, estavam intimamente ligadas, de alguma maneira. Mas, no entanto, por que deveria alguém que foi decapitado ser colocado « acima» de alguém que foi crucificado? Como veremos, esta indicação da cabeça decapitada, no Sudário de Turim, é apenas um reforço dos símbolos de muitas outras obras de Leonardo. Já vimos como a anômala jovem « M» , na A Última Ceia, está aparentemente ameaçada por uma mão que se atravessa sobre o seu delicado pescoço, e como o próprio Jesus está a ser ameaçado por um dedo indicador estendido, apontado ao seu rosto, aparentemente como um aviso – ou, talvez, uma advertência, ou ambos. Nas obras de Leonardo, este indicador estendido é sempre, em todos os casos, uma referência direta a João Batista.

Este santo, o alegado precursor de Jesus, que exortou o mundo a « contemplar o Cordeiro de Deus» , cujas sandálias ele não era digno de desatar, foi de suprema importância para Leonardo, se julgarmos pela sua onipresença nas obras de Leonardo que ainda subsistem. Esta obsessão, em si mesma, é curiosa em alguém que os modernos racionalistas consideram não ter tido tempo para a religião. Um homem, para quem todas as personagens e tradições do cristianismo nada valiam, dificilmente teria dedicado tanto tempo e energia a um santo específico como ele dedicou a João Batista. Continuamente, é este João que domina a vida de Leonardo, tanto a nível consciente, nas suas obras, como a nível sincrônico, nas circunstâncias que o rodeavam. Por exemplo, a sua amada cidade de Florença é dedicada a este santo, tal como a catedral de Turim, em que o forjado Santo Sudário se conserva com grande aparato. A sua última pintura, que, com a Mona Lisa, se encontrava no quarto em que Leonardo morreu, sem ser reclamada, era de João Batista, e a sua única peça de escultura que subsiste (executada em conjunto com Goivas Francesco Rustici, um famoso ocultista) também representava Batista. Encontra-se agora na entrada para o batistério de Florença, muito acima das cabeças dos turistas e, infelizmente, danificada pelos irreverentes bandos de pombos.

O dedo indicador estendido – o que chamamos o « gesto de João» – foi realçado em A Escola de Atenas (1509) de Rafael. Nele, vemos a venerável figura de Platão fazendo este sinal, mas em circunstâncias que não são uma alusão tão misteriosa como se podia suspeitar. De fato, o modelo de Platão foi o próprio Leonardo, obviamente fazendo um gesto que, de certo modo, não só lhe era característico como também profundamente significativo para ele (e, presumivelmente, também para Rafael e outros do seu círculo).

Caso se pense que os pesquisadores estão a exagerar o que designam por « gesto de João» , examinemos outros exemplos dele na obra de Leonardo. Este gesto figura em várias das suas pinturas e, como dito antes, tem sempre o mesmo significado. Na sua inacabada Adoração dos Magos (começada em 1481), um figurante anônimo faz este gesto junto de um monte de terra onde cresce uma alfarrobeira. A maioria dos observadores não repara nele, porque os seus olhos são inevitavelmente atraídos para o que julgam ser o objetivo do quadro – como o título sugere, a veneração da Sagrada Família pelos « homens sábios» ou magos.

A bela e sonhadora Virgem, com Jesus ao colo, é pintada como uma figura insípida e descolorida. Os magos ajoelham, apresentando à Virgem os seus presentes para a criança, enquanto, ao fundo, um grupo se movimenta, aparentemente para também adorar a mãe e a criança. Mas, como na A Última Ceia, esta também só superficialmente é uma pintura cristã e merece um exame mais minucioso.

No primeiro plano, os devotos dificilmente são exemplos de saúde e beleza. Magros até ao ponto de parecerem cadáveres, as suas mãos estendidas parecem estar levantadas, não tanto em assombro, mas mais como se estivessem a despedaçar o par duma forma assustadora. Os magos apresentam a suas dádivas – mas apenas dois dos lendários três magos. Oferecem incenso e mirra, mas não ouro. Para as pessoas do tempo de Leonardo, o ouro não só significava riqueza imediata como era também um símbolo de realeza – e, aqui, ela está a ser negada a Jesus.

Se olharmos para detrás da Virgem e dos Magos, parece haver um segundo grupo de devotos. Estes são muito mais saudáveis e têm um aspecto mais normal – mas, se seguirmos a linha do seu olhar, é óbvio que eles não estão a olhar para a Virgem nem para a criança, mas parece que estão a venerar as raízes da alfarrobeira, para a qual um homem está a fazer o « gesto de João». E a alfarrobeira é tradicionalmente associada a João Batista…

No canto inferior direito da pintura, um homem jovem afasta-se deliberadamente da Sagrada Família. Admite-se que este homem seja o próprio Leonardo, mas o argumento um tanto fraco usado para explicar esta aversão – que o artista se sentia indigno de os enfrentar – dificilmente convencerá, porque Leonardo é muito famoso por mão ter sido apreciador da Igreja. Além disso, a personagem de São Tadeu ou São Judas da A Última Ceia também se afasta ostensivamente do Redentor, sublinhando, assim, uma resposta emocional extrema às figuras centrais da história cristã. E, como Leonardo dificilmente era a epítome da piedade ou da humildade, não é provável que esta reação tenha sido inspirada por um sentimento de inferioridade ou de espírito de adulação.

Voltando ao belo e obsidiante cartão de Leonardo para a Virgem e Jesus com Santa Ana (1501), que embeleza a National Gallery de Londres, novamente se encontram elementos que deviam perturbar – mas raramente perturbam – o observador, devido às suas implicações subversivas. O desenho mostra a Virgem e o menino, com Santa Ana (mãe de Maria) e João Batista, em criança. O menino Jesus, aparentemente, está a abençoar o seu primo João, que olha para cima. Pensativo, enquanto Santa Ana lança, de muito perto, um olhar perscrutador ao rosto da filha – e está a fazer o « gesto de João» com uma mão, curiosamente grande e masculina.

Contudo, este dedo indicador estendido eleva-se imediatamente acima da pequena mão com que Jesus está a abençoar, como se a ensombrasse literal e metaforicamente. E, embora a Virgem pareça estar sentada numa posição extremamente desconfortável – de fato, quase como numa sela de amazona – é a posição do menino Jesus que é particularmente estranha. A Virgem segura-o como se o impelisse para a frente para dar a bênção como se o introduzisse no quadro apenas para abençoar, mas apenas o mantém ali com dificuldade. Entretanto, João, indiferente encosta-se no joelho de Santa Ana, desinteressado da honra que lhe está a ser concedida. Poderia ser possível que a própria mãe da Virgem estivesse a recordar à filha algum segredo relacionado com João? Segundo a respectiva nota da Natiomal Gallery , alguns críticos de arte, intrigados com a juventude de Santa Ana e com a presença anômala de João Batista, levantaram a hipótese de a pintura representar Maria e a sua prima Isabel – a mãe de João. Parece uma hipótese plausível, e, se for correta reforça o ponto essencial.

Esta aparente inversão dos habituais papéis de Jesus e de João também se verifica numa das duas versões da Virgem dos Rochedos de Leonardo.

Os historiadores de arte nunca explicaram satisfatoriamente a razão de existirem duas versões, mas uma delas é atualmente exibida na National Gallery de Londres, e a outra – a mais interessante – encontra-se no Louvre, em Paris.

A encomenda original partiu de uma organização conhecida por Confraria da Imaculada Conceição, e era de uma única pintura, destinada a ser a peça central para o altar da capela da Confraria na Igreja de San Francisco Grand, em Milão. (As outras duas pinturas foram encomendadas a outros artistas.) O contrato, datado de 25 de Abril de 1483, ainda existe e lança alguma luz interessante sobre o quadro esperado – e sobre o que os membros da Confraria realmente receberam. Especifica cuidadosamente a forma e a dimensão da pintura que desejavam – uma necessidade, porque a moldura para o tríptico já existia. Estranhamente, ambas as versões acabadas de Leonardo correspondem a estas especificações, embora se desconheça por que razão fez duas versões. Podemos, no entanto, arriscar uma suposição acerca destas interpretações divergentes e que tem pouco a ver com perfeccionismo e mais com um conhecimento do seu potencial explosivo.

O contrato também especifica o tema da pintura. Devia representar um acontecimento, que não se encontra nos Evangelhos, há muito presente na lenda cristã. Era a história relativa à fuga para o Egipto, quando José, Maria e o menino Jesus se tinham abrigado numa caverna do deserto, onde encontraram o pequeno João Batista, que estava protegido pelo arcanjo Uriel. A particularidade desta lenda era o fato de ela permitir uma fuga a uma das mais óbvias e embaraçosas questões levantada pela história do Evangelho acerca do batismo de Jesus. Por que devia Jesus, supostamente sem pecado, precisar de ser batizado, dado que o ritual é um gesto simbólico da remoção dos pecados e do compromisso de religiosidade futura? Por que devia o próprio Filho de Deus ter-se submetido ao que era, manifestamente, um ato de autoridade da parte de Batista? Esta lenda revela como, neste encontro curiosamente fortuito das duas crianças sagradas, Jesus conferiu a seu primo João a autoridade para o batizar quando ambos fossem adultos. Por várias razões, parece muito irônico que a Confraria fizesse esta encomenda a Leonardo, mas também podía-se suspeitar de que Leonardo teria ficado encantado ao recebe-la – e ao fazer a sua interpretação muito particular, pelo menos, numa das versões.

Ao gosto da época, os membros da Confraria tinham especificado uma pintura suntuosa e muito ornamentada, com grande quantidade de dourados, muitos querubins e velhos profetas do Antigo Testamento para preencher o espaço. O que acabaram por receber foi muito diferente, a ponto de as relações entre eles e o artista se tornarem acrimoniosas, culminando num processo judicial que se arrastou durante mais de vinte anos.

Leonardo preferiu representar esta cena o mais realisticamente possível, sem figuras estranhas – para ele, não deviam existir gordos querubins nem sombrios profetas da desgraça. De fato, as dramatis personae foram, talvez, excessivamente reduzidas, porque, embora esta cena supostamente descreva a fuga para o Egito, José nem figura nela.

A versão do Louvre, que foi a primeira, apresenta uma Virgem vestida de azul, com um braço protetor à volta de uma das crianças; a outra faz grupo com Uriel. Curiosamente, as duas crianças são idênticas, mas o mais curioso ainda é a criança que está junto de Uriel, que está a abençoar a outra, e a criança de Maria é que está ajoelhada, em subserviência. Este fato levou os historiadores de arte a presumir que, por qualquer razão, decidiu colocar João junto de Maria.

Afinal, não existem rótulos para identificação individual, e a criança que tem autoridade para abençoar tem de ser Jesus. Existem, no entanto, outras maneiras de interpretar este quadro, que não só sugerem insistentes mensagens subliminares e muito heterodoxas como também reforçam os códigos usados noutras obras de Leonardo. Talvez esta semelhança das duas crianças sugira que Leonardo estava deliberada e intencionalmente a mistificar a identidade das duas crianças. E, enquanto Maria estende um braço protetor em torno da criança geralmente reconhecida como Jesus, a sua mão direita está estendida acima da cabeça de « Jesus» , no que parece ser um gesto de manifesta hostilidade. E o que Serge Bramly, na sua recente biografia de Leonardo, descreve como « fazendo lembrar as garras de uma águia» . Uriel está a apontar para o filho de Maria mas também, de forma significativa, olha enigmaticamente para o observador – isto é, afasta deliberadamente o olhar da Virgem e da criança. Embora seja mais fácil e mais aceitável interpretar este gesto como indicação de qual das crianças irá ser Messias, há outros significados possíveis.

E se a criança de Maria, na versão do Louvre de A Virgem dos Rochedos, for Jesus – como é lógico esperar – e o jovem, que está junto de Uriel, for João? Não esquecer que, neste caso, é João que está a abençoar Jesus, estando este a submeter-se à autoridade do primeiro. Uriel, como especial protetor de João, evita mesmo olhar para Jesus. E Maria, protegendo o filho, estende uma mão ameaçadora, muito acima da cabeça do pequeno João. Algumas polegadas diretamente abaixo da palma da mão estendida de Maria, atravessa-se a mão indicadora de Uriel, como se os dois gestos estivessem a circunscrever uma indicação oculta. É como se Leonardo estivesse a indicar que um objeto, uma coisa importante – mas invisível – devia preencher o espaço entre os dois gestos. Neste contexto, não é, de modo nenhum, fantasista compreender que se pretende que os dedos estendidos de Maria pareçam estar colocados sobre uma cabeça invisível enquanto o dedo indicador de Uriel atravessa o espaço, exatamente onde se encontraria o pescoço. Esta cabeça fantasma flutua precisamente acima da criança que está junto de Uriel… Assim, esta criança está, afinal, efetivamente rotulada, por que qual das duas crianças iria morrer decapitada? E, se for realmente João Baptista, ele é apresentado a abençoar, detentor do estatuto superior.

Contudo, quando voltamos à versão da National Gallery, muito mais tardia, verificamos que desapareceram todos os elementos necessários para fazer estas deduções heréticas – mas apenas esses elementos. As duas crianças são muito diferentes na aparência, e a que está com Maria carrega a cruz de haste longa, tradicional de João (embora seja verdade que ela possa ter sido acrescentada, mais tarde, por outro artista). Nesta versão, a mão direita de Maria também está estendida acima da outra criança, mas agora sem sugestão de ameaça. Uriel já não está a apontar nem desvia o olhar da cena.

É como se Leonardo nos convidasse a «descobrir as diferenças» – desafiando-nos a tirar conclusões dos pormenores anômalos.

Este tipo de exame à obra de Leonardo revela um excesso de correntes ocultas, provocadoras e perturbantes. Parece haver uma repetição do tema de João Batista, usando vários símbolos e sinais habilmente subliminares. Continuamente, João e as imagens que o indicam se elevam acima da figura de Jesus – mesmo, se tivermos razão, nos símbolos tão astuciosamente colocados no próprio Sudário de Turim.

Há uma motivação nesta insistência, não apenas na complexidade das imagens que Leonardo usava mas, de fato, no risco que ele correu ao apresentar ao mundo esta heresia inteligente e subliminar. Talvez, como já sugerimos, a razão por que ele não acabou a maior parte da sua obra não fosse tanto o fato de ser um perfeccionista mas antes por estar demasiado consciente do que lhe poderia acontecer se alguém importante compreendesse, sob a fina camada de ortodoxia, a completa « blasfêmia» que se encontrava quase à superfície. Talvez mesmo o gigante intelectual e físico que era Leonardo tivesse algum cuidado para não criar complicações com as autoridades – para ele, uma vez fora suficiente.

Contudo, ele não tinha necessidade de arriscar a cabeça por introduzir estas mensagens heréticas nas suas pinturas, a não ser que tivesse nelas uma fé arrebatada. Longe de ser o materialista ateu tão querido de alguns modernistas, Leonardo estava profunda e seriamente comprometido com um sistema de crenças que fluía em sentido totalmente inverso ao que era na época, e ainda é, a corrente oficial do cristianismo. É aquilo a que muitas pessoas preferem chamar « oculto» .

Atualmente, para a maioria das pessoas, esse é um mundo que tem conotações imediatas e não totalmente positivas. Supõe-se que significa magia negra ou as artimanhas de charlatães depravados – ou ambas. De fato, a palavra « oculto» significa simplesmente « escondido» e é vulgarmente usada em astronomia, tal como na descrição de um corpo celeste « ocultando» ou eclipsando outro. No que diz respeito a Leonardo, podíamos concordar que, embora existissem elementos na sua vida e nas suas crenças que sugerem ritos sinistros e práticas mágicas, também é verdade que o que ele procurou estava acima e além de tudo o mais, conhecimento. Contudo, grande parte do que ele procurava tinha sido efetivamente « ocultado» pela sociedade – em particular, por uma poderosa e onipresente organização. Nessa época, por toda a Europa, a Igreja desaprovava qualquer experiência científica e tomava medidas drásticas para silenciar os que tornavam públicas as suas opiniões heterodoxas ou particularmente pessoais.

No entanto, Florença – onde Leonardo nasceu e cresceu e em cuja corte começou a sua carreira – era um centro florescente de uma nova vaga de conhecimento. Isto, com bastante surpresa, devia-se inteiramente ao fato de esta cidade ser um refúgio para numerosos ocultistas e mágicos influentes. Os primeiros patronos de Leonardo, a família De Medici, que governava Florença, encorajavam ativamente o estudo do oculto e patrocinavam mesmo investigadores para procurar, e traduzir, tratados específicos perdidos.

Este fascínio pelo arcano não era o equivalente renascentista dos atuais horóscopos dos jornais. Embora existissem inevitáveis áreas de investigação que nos pareceriam ingênuas ou claramente supersticiosas, existiam também muitas mais que representavam uma séria tentativa de ir um pouco mais longe e descobrir o modo de controlar as forças da Natureza. Sob esta perspectiva, talvez não seja tão extraordinário que o próprio Leonardo fosse, como julgamos, um participante ativo na cultura ocultista da sua época e lugar. E a notável historiadora Dame Frances Yates sugeriu que toda a chave do gênio de grande alcance de Leonardo podia residir nas ideias de magia contemporâneas.

O fator de condenação de todos os outros grupos da época era o hermetismo, cujo nome deriva de Hermes Trismegisto, o grande, embora lendário, mago egípcio cujos livros apresentam um sistema coerente de magia.

Indiscutivelmente, a parte mais importante do pensamento hermético era a ideia de que o homem, de algum modo, era literalmente divino – uma ideia que, em si, era tão ameaçadora para o domínio da Igreja sobre os corações e as mentes do seu rebanho que foi considerado anátema.

Os princípios herméticos estavam certamente representados na vida e na obra de Leonardo, mas, ao primeiro olhar, pareceria haver uma notória discrepância entre estas sofisticadas ideias filosóficas e cosmológicas e os conceitos heréticos que, todavia, aprovavam as figuras bíblicas. (as crenças heterodoxas de Leonardo e do seu círculo não resultavam apenas da reação a uma Igreja corrupta e crédula. Como a história mostrou, existia, de fato, uma forte, e certamente não disfarçada, reação à Igreja de Roma – o movimento Protestante. Mas, se Leonardo vivesse hoje, também não o encontraríamos a participar no culto religioso daquele gênero de Igreja.) Contudo, há muitas provas de que os herméticos também podiam ser completos heréticos. Giordano Bruno (1548-1600), o fanático pregador do Hermetismo, declarou que as suas crenças provinham de uma antiga religião egípcia que precedera o cristianismo – e que o eclipsava em importância.

Parte deste florescente mundo oculto – mas ainda demasiado receoso da desaprovação da Igreja para ser algo mais do que um movimento secreto – eram os alquimistas. É um outro grupo que é vítima de um preconceito moderno. Atualmente, são ridicularizados como loucos, que passaram as suas vidas a tentar, em vão, transformar o vil metal em ouro; de fato, esta imagem era uma útil cortina de fumo para os verdadeiros alquimistas que estavam mais interessados na experiência científica correta – mas também na transformação pessoal e no implícito controlo total do seu próprio destino. E não é difícil compreender que alguém tão ávido de conhecimento como Leonardo fizesse parte desse movimento, talvez mesmo seu inspirador. Embora não existam provas diretas do seu envolvimento, sabe-se que ele estava ligado a conhecidos ocultistas de todos os matizes, e a nossa investigação da sua mistificação do Sudário de Turim sugere fortemente que a imagem foi o resultado direto das suas experiências « alquímicas» . (De fato, a fotografia foi, outrora, um dos grandes segredos alquímicos.

Em palavras simples: é muito improvável que Leonardo não estivesse familiarizado com qualquer sistema de conhecimento disponível na sua época, mas, ao mesmo tempo, também é igualmente improvável que ele confiasse ao papel qualquer prova desse fato. Mas, como vimos, os símbolos e as imagens que repetidamente usava nas suas chamadas pinturas cristãs dificilmente eram os que teriam sido aprovados pelas autoridades da Igreja, se elas tivessem compreendido a sua verdadeira natureza.

Mesmo assim, um fascínio pelo hermetismo podia parecer, pelo menos superficialmente, encontrar-se quase na extremidade oposta da escala, relativamente a João Baptista – e ao reputado significado da mulher « M». De facto, foi esta discrepância que nos intrigou a tal ponto que continuámos a investigar. É claro que se podia alegar que o significado deste interminável levantar de dedos indicadores significava que um gênio da Renascença estava obcecado com João Batista. Mas era possível que um significado mais profundo estivesse por de trás da crença pessoal de Leonardo? A mensagem que se podia deduzir das suas pinturas era, de fato, verdadeira? Certamente que o Maestro há muito fora reconhecido nos círculos ocultistas como sendo possuidor de conhecimento secreto. Quando começamos a investigar o seu papel no Sudário de Turim, verificamos que constava entre os ocultistas que, realmente, ele não só participara na sua criação como era também um conhecido mago de algum renome. Existe mesmo um cartaz parisiense que anuncia o Salão da Rosacruz – um lugar de encontro de ocultistas com tendências artísticas – que descreve Leonardo como Guardião do Santo Graal (o que, nestes círculos, pode ser tomado como símbolo de Guardião dos Mistérios). Novamente, boatos e liberdade artística, em si, não têm grande significado, mas, associados a todas as indicações já enumeradas, estimularam o nosso desejo de saber mais acerca do Leonardo desconhecido.

Até então, tínhamos isolado o elemento principal do que parecia ser a obsessão de Leonardo: João Batista. Apesar de ser natural que ele fosse encarregado de pintar ou esculpir o santo enquanto vivia em Florença – uma cidade dedicada a João-, é um fato que, quando entregue a si próprio, Leonardo preferiu fazê-lo. Afinal, a última pintura em que trabalhava antes da sua morte, em 1519 – que não fora encomendada mas pintada por razões pessoais-, era de João Batista. Talvez ele quisesse que a imagem o contemplasse quando jazia moribundo. E, mesmo quando era pago para pintar uma cena cristã ortodoxa, sempre, se o podia fazer, realçava o papel de Batista nessa cena.

Como vimos, as suas imagens de João são elaboradamente planeadas para transmitir uma mensagem, mesmo que esta seja imperfeita e subliminarmente captada. Certamente João é apresentado como importante – neste caso, ele era o precursor, o arauto e o familiar de Jesus, por isso, era natural que o seu papel fosse reconhecido deste modo. Mas Leonardo não nos está a dizer que Batista era, como qualquer outra pessoa, inferior a Jesus. Na sua Virgem dos Rochedos, o anjo está, discutivelmente, a apontar para João, o qual está a abençoar Jesus, e não vice-versa.

Na Adoração dos Magos, as pessoas saudáveis e de aspecto normal estão a venerar os ramos da alfarrobeira – a árvore de João – e não a descorada Virgem e o menino. E o « gesto de João» , o dedo indicador direito levantado, está apontado ao rosto de Jesus, na A Última Ceia, no que não é, manifestamente, um gesto afetuoso ou de apoio; no mínimo, parece estar a dizer, de modo rudemente ameaçador: « Lembra-te de João.» E a menos conhecida das obras de Leonardo, o Sudário de Turim, mostra o mesmo tipo de simbolismo, com a imagem de uma cabeça, aparentemente decapitada, a ser colocada « sobre» um corpo, classicamente crucificado. A esmagadora evidência é que, pelo menos para Leonardo, João Baptista era realmente superior a Jesus.

Tudo isto podia ter feito Leonardo parecer uma voz que clamava no deserto. Afinal, muitos gênios têm sido excêntricos, para dizer o mínimo. Talvez esta fosse uma outra área da sua vida em que ele se situou à margem das convenções da sua época, rejeitado e isolado. Tinham surgido provas – embora de natureza muito polêmica – em anos recentes que o ligavam a uma sinistra e poderosa sociedade secreta. Este grupo, que alegadamente já existia muitos séculos antes de Leonardo, envolvia alguns dos mais poderosos indivíduos e famílias da história europeia e – de acordo com algumas fontes – ainda hoje existe. Não só, diz-se, os inspiradores desta organização eram membros da aristocracia como também algumas das atuais figuras da vida econômica e política a mantêm viva, com objetivos particulares.

Fonte: Livro ” A Revelação dos Templários”

Manuscritos dos essênios

Abril de 1947, no vale de Khirbet Qumran, junto às encostas do Mar Morto, Juma Muhamed, pastor beduíno da região, recolhia seu rebanho quando ao seguir atrás de uma ovelha desgarrada percebeu que havia uma extensa

fenda entre duas rochas.Curioso, atirou uma pedra e ouviu o ruído de um vaso se quebrando. No vaso, encontrou pergaminhos. Este momento caracterizou-se como um marco para o mundo arqueológico: A Descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.

Desde então, a tradução e divulgação do seu conteúdo têm atraído atenção mundial, e uma grande expectativa tem se instaurado quanto a possíveis segredos ainda não revelados.

Foram encontrados em 11 cavernas, nas ruínas de Qumran, centenas de pergaminhos que datam do terceiro século a.C até 68 d.C., segundo testes realizados com carbono 14. Os Manuscritos do Mar Morto foram escritos em três idiomas diferentes: Hebreu, Aramaico e Grego, totalizando quase mil obras. Eles incluíam manuais de disciplinas, hinários, comentários bíblicos, escritos apocalípticos, cópias do livro de Isaías e quase todos os livros do Antigo Testamento.

De acordo com os estudiosos, os Manuscritos estão divididos em três grupos principais: Sectários, Apócrifos e Bíblicos. Os Bíblicos reúnem todos os livros da Bíblia, exceto Ester, no total 22 livros. Os Apócrifo s são os livros sagrados excluídos da Bíblia, e, finalmente os Sectários que são pergaminhos relacionados com a seita, incluindo visões apocalípticas e trabalhos litúrgicos. No livro “As doutrinas secretas de Jesus”, o autor H. Spencer Lewis, F.R.C., Ph.D., cita na pág. 28 a referência (chave 15): “Essa sociedade secreta (sociedade secreta de Jesus) pode ou não ter sido afiliada aos essênios, outra sociedade secreta com que Jesus estava bem familiarizado” (*);.

A descoberta dos Pergaminhos do Mar Morto confirmou a referência feita pelo autor aos essênios e seus ensinamentos secretos, que precederam o cristianismo e que Jesus deve ter conhecido bem. Um relatório parcial sobre essa descoberta, do arqueólogo inglês G. Lankester Harding, Diretor do Departamento de Antiguidades da Jordânia, diz o seguinte: “A mais espantosa revelação dos documentos essênios até agora publicada é a de que os essênios possuíam, muitos anos antes de Cristo, práticas e terminologias que sempre foram consideradas exclusivas dos cristãos. Os essênios tinham a prática do batismo, e compartilhavam um repasto litúrgico de pão e vinho presidido por um sacerdote. Acreditavam na redenção e na imortalidade da alma. Seu líder principal era uma figura misteriosa chamada o Instrutor da Retidão, um profeta-sacerdote messiânico abençoado com a revelação divina, perseguido e provavelmente martirizado.”

“Muitas frases, símbolos e preceitos semelhantes aos da literatura essênia são usados no Novo Testamento, particularmente no Evangelho de João e nas Epístolas de Paulo. O uso do batismo por João Batista levou alguns eruditos a acreditar que ele era essênio ou fortemente influenciado por essa seita. Os Pergaminhos deram também novo ímpeto à teoria de que Jesus pode ter sido um estudante da filosofia essênia. É de se notar que o Novo Testamento nunca menciona os essênios, embora lance freqüentes calúnias sobre outras duas seitas importantes, os saduceus e os fariseus.”

Todos esses documentos foram preservados por quase dois mil anos e são considerados o achado do século, principalmente porque a Bíblia, até então conhecida, data de uma tradução grega, feita pelo menos mil anos depois da de Qumran. Hoje, os Manuscritos do Mar Morto encontram-se no Museu do Livro em Jerusalém.

O nome Essênios deriva da palavra egípcia Kashai, que significa ” secreto”. Na língua grega, o termo utilizado é “therepeutes”, originário da palavra Síria”asaya”, que significa médico. A organização nasceu no Egito nos anos que precedem o Faraó Akhenathon, o grande fundador da primeira religião monoteísta, sendo difundida em diferentes partes do mundo, inclusive em Qumran. Nos escritos dos Rosacruzes, os Essênios são considerados como uma ramificação da”Grande Fraternidade Branca”. Segundo estudiosos, foi nesse meio onde passou Jesus, no período que corresponde entre seus 13 e 30 anos. Alguns estudiosos também acreditam que a Igreja Católica procura manter silêncio acerca dos essênios, tentando ocultar que recebeu desta seita muitas influências.

Para medir o tempo, os Essênios utilizavam um calendário diferenciado, baseado no Sol. Ao contrário do utilizado na época, que consistia de 354 dias, seu calendário continha 364 dias que eram divididos em 52 semanas permitindo que cada estação do ano fosse dividida em 13 semanas e mais um dia, unindo cada uma delas.

Consideravam seu calendário sintonizado com a”Lei da Grande Luz do Céu”. Seu ritmo contínuo significava ainda que o primeiro dia do ano e de cada estação sempre caía no mesmo dia da semana, quarta-feira, já que de acordo com o Gênesis foi no quarto dia que a Lua e o Sol foram criados.

Segundo os Manuais de Disciplina dos Essênios dos Manuscritos do Mar Morto, os essênios eram realmente originários do Egito, e durante a dominação do Império Selêucida, em 170 a.C., formaram um pequeno grupo de judeus, que abandonou as cidades e rumou para o deserto, passando a viver às margens do Mar Morto, e cujas colônias estendiam-se até o vale do Nilo.

No meio da corrupção que imperava, os essênios conservavam a tradição dos profetas e o segredo da Pura Doutrina. De costumes irrepreensíveis, moralidade exemplar, pacíficos e de boa fé, dedicavam-se ao estudo espiritualista, à contemplação e à caridade, longe do materialismo avassalador. Os essênios suportavam com admirável estoicismo os maiores sacrifícios para não violar o menor preceito religioso.

Procuravam servir a Deus, auxiliando o próximo, sem imolações no altar e sem cultuar imagens. Eram livres, trabalhavam em comunidade, vivendo do que produziam.

Os Essênios não tinham criados, pois acreditavam que todo homem e mulher era um ser livre. Tornaram-se famosos pelo conhecimento e uso das ervas, entregando-se abertamente ao exercício da medicina ocultista.

Em seus ensinos, seguindo o método das Escolas Iniciáticas, submetiam os discípulos a rituais de Iniciação, conforme adquiriam conhecimentos e passavam para graus mais avançados. Mostravam então, tanto na teoria quanto na prática, as Leis Superiores do Universo e da Vida, tristemente esquecidas na ocasião. Alguns dizem que eles preparavam a vinda do Messias.

Era uma seita aberta aos necessitados e desamparados, mantendo inúmeras atividades onde a acolhida, o tratamento de doentes e a instrução dos jovens eram a face externa de seus objetivos. Não há nenhum documento que comprove a estada essênia de Jesus, no entanto seus atos são típicos de quem foi iniciado nesta seita. A missão dos seguidores do Mestre Verdadeiro foi a de difundir a vinda de um Messias e nisto contribuíram para a chegada de Jesus.

Na verdade, os essênios não aguardavam um só Messias, e sim, dois. Um originário da Casa de Davi, viria para legislar e devolver aos judeus a pátria e estabelecer a justiça. Esse Messias-Rei restituiria ao povo de Israel a sua soberania e dignidade, instaurando um novo período de paz social e prosperidade. Jesus foi recebido por muitos como a encarnação deste Messias de sangue real. No alto da cruz onde padeceu, lia-se a inscrição: Jesus Nazareno Rei dos Judeus. O outro Messias esperado nasceria de um descendente da Casa de Levi. Este Salvador seguiria a tradição da linhagem sacerdotal dos grandes mártires. Sua morte representaria a redenção do povo e todo o sofrimento e humilhação por que teria que passar em vida seria previamente traçado por Deus.

O Messias-Sacerdote se mostraria resignado com seu destino, dando a vida em sacrifício. Faria purgar os pecados de todos e a conduta de seus atos seria o exemplo da fé que leva os homens à Deus. Para muitos, a figura do pregador João Batista se encaixa no perfil do segundo Messias.

Até os nossos dias, uma seita do sul do Irã, os mandeanos, sustenta ser João Batista o verdadeiro Messias. Vivendo em comunidades distantes, os essênios sempre procuravam encontrar na solidão do deserto o lugar ideal para desenvolverem a espiritualidade e estabelecer a vida comunitária, onde a partilha dos bens era a regra.

Rompendo com o conceito da propriedade individual, acreditavam ser possível implantar no reino da Terra a verdadeira igualdade e fraternidade entre os homens.

Consideravam a escravidão um ultraje à missão do homem dada por Deus. Todos os membros da seita trabalhavam para si e nas tarefas comuns, sempre desempenhando atividades profissionais que não envolvessem a destruição ou violência.

Não era possível encontrar entre eles açougueiros ou fabricantes de armas, mas sim grande quantidade de mestres, escribas, instrutores, que através do ensino passavam de forma sutil os pensamentos da seita aos leigos.

O silêncio era prezado por eles. Sabiam guardá-lo, evitando discussões em público e assuntos sobre religião. A voz, para um essênio, possuía grande poder e não devia ser desperdiçada. Através dela, com diferentes entonações, eram capazes de curar um doente. Cultivavam hábitos saudáveis, zelando pela alimentação, físico e higiene pessoal.

A capacidade de predizer o futuro e a leitura do destino através da linguagem dos astros tornou os essênios figuras magnéticas, conhecidas por suas vestes brancas.

Eram excelentes médicos também. Em cada parte do mundo onde se estabeleceram, eles receberam nomes diferentes, às vezes por necessidades de se proteger contra as perseguições ou para manter afastados os difamadores. Mestres em saber adaptar seus pensamentos às religiões dos países onde se situavam, agiram misturando muitos aspectos de sua doutrina a outras crenças. O saber mais profundo dos essênios era velado à maioria das pessoas.

É sabido também que liam textos e estudavam outras doutrinas. Para ser um essênio, o pretendente era preparado desde a infância na vida comunitária de suas aldeias isoladas. Já adulto, o adepto, após cumprir várias e tapas de aprendizado, recebia uma missão definida que ele deveria cumprir até o fim da vida. Vestidos com roupas brancas, ficaram conhecidos em sua época como aqueles que “são do caminho”.

Foram fundadores dos abrigos denominados”beth-saida”, que tinham como tarefa cuidar de doentes e desabrigados em épocas de epidemia e fome. Os beth-saida anteciparam em séculos os hospitais, instituição que tem seu nome derivado de hospitaleiros, denominação de um ramo essênio voltado para a prestação de socorro às pessoas doentes.

Fizeram obras maravilhosas, que refletem até os nossos dias. A notícia que se tem é de que a seita se perdeu, no tempo e memória das pessoas.

Texto retirado http://www.mistériosantigos.com