Os druídas

Druids:

O termo druída é uma construção indo-europeia, com um significado literal de duas partes: ” carvalho  e visão”. Sugeriu-se que a parte do carvalho fosse uma referência às qualidades da árvore: velha, forte, estabelecida, sólida, e o elemento da “visão” significasse entendimento, conhecimento, e relaciona-se à palavra irlandesa para magia e à galesa para vidente. 

O efeito geral era que essas pessoas se constituíam em um repositório de grande conhecimento associado à magia. O interessante é que a palavra “magia” existe em muitas culturas antigas, desde a China até a Pérsia, onde é associada aos “Magi”, sacerdotes-astrônomos existentes a 5 mil anos. Como os druídas, os magi persas usavam túnicas brancas e acreditava-se que tinham grandes poderes por seu conhecimento do sol, da lua e das estrelas. 

A descoberta recente de muitos corpos mumificados da Região Autônoma de Tarim Xinjiang Uigur, na China ocidental, dá uma pista de como o conceito da magia astronômica chegou àquele país remoto. Graças às areias salgadas do deserto, onde essas pessoas foram enterradas, os corpos de 4 mil anos estão inacreditavelmente preservados , com a pele, a carne, os cabelos e os órgãos internos intactos. Acredita-se que governaram essa parte da China, apesar de serem europeus ocidentais com cabelos ruivos  e de até as mulheres terem mais de 1,80 metros de altura. Esses antigos usavam túnicas coloridas, calças, botas, meias finas compridas, casacos e chapéus de bruxa pontudos. 

Uma especialista, Elizabeth Barber, professora de arqueologia na Occidental College, em Los Angeles, disse: 

” Ainda outra mulher… usava um chapéu altíssimo, cônico, como aqueles representados em bruxas voando em suas vassouras no Halloween ou em magos medievais ao realizar feitiços mágicos. Essa semelhança, por mais estranho que possa parecer, pode não se por acaso. Nossas bruxas e magos tiraram seus chapéus altos e pontudos exatamente de onde tiramos nossas palavras ” Mago e magia”, da Pérsia. A palavra persa ou iraniana Magus, indicava um sacerdote ou sábio, em especial da religião zoroastriana . Os magi distinguiam-se pelos chapéus altos, além de professarem conhecimentos de astronomia e medicina, de como controlar os ventos e o clima com magia poderosa e de como contatar o mundo espiritual”.

Acredita-se que a sabedoria, as crenças e até o modo de vestir druída foram preservados em uma tradição monástica cristã celta muito antiga conhecida como CULDEE. 

 AS FOTOS ABAIXO FORAM TIRADAS DO SITE:

http://arquivosdoinsolito.blogspot.com.br/2008/08/as-polmicas-mmias-de-xinjiang.html

    

 

Magia Branca e Magia Negra

Wizard

 

       O uso da palavra “Magia” em conexão com Influência Mental é muito antiga. Os Ocultistas fazem uma clara distinção entre o uso da Influência Mental de uma maneira que leva ao bem-estar dos outros, e seu uso de forma egoísta calculada para prejudicar os outros. As duas formas são comuns e são frequentemente mencionadas em todas as escrituras ocultistas.

 

         A Magia Branca tem muitas formas, tanto em manifestações antigas quanto nos dias recentes de renascimento do conhecimento antigo. Assim, o uso da Influência Mental geralmente tem “tratamentos” de bom grado em pessoas por outras trazem consigo a felicidade no coração. Nesta classe em particular existem os vários tratamentos das diversas seitas e escolas do que é conhecido como Influência Mental, ou por termos similares. Estas pessoas têm o costume de realizar tratamentos “presentes” e “ausentes” com o propósito de curar dores e indisposições físicas e normalizar as condições físicas de saúde e força. Tratamentos similares são realizados por algumas pessoas para proporcionar a condição de sucesso para outros, através da transmissão para as mentes de tais pessoas com as vibrações de coragem, confiança, energia, etc., o que obviamente leva ao sucesso junto com a ocupação material, etc.. Da mesma maneira, alguém pode “processar” condições adversas envolvendo pessoas, usando a força da mente e da vontade para produzir nessas condições a ideia de mudança das vibrações prevalecentes, trazendo sucesso do insucesso, e sucesso do fracasso.

 

         A maioria das pessoas, não cientes de tal conhecimento, são rodeadas pela atmosfera mental que desperta dos pensamentos, sentimentos, estados mentais prevalecentes, etc., e também que surgem das correntes mentais que eles atraíram para si através da Lei da Atração Mental. Essas atmosferas mentais, uma vez firmemente rodeadas em uma pessoa, tornam-se bastante difíceis para a pessoa “quebrar” tais vibrações. Ele se esforça e luta, mas as vibrações prevalecentes o atingem o tempo todo e deve produzir um forte efeito sobre até mesmo pessoas em pessoas que possuem força de vontade, a menos que de fato elas conheçam completamente as leis de Influência Mental e tenham adquirido o poder de concentração. Talvez, o hábito de uma vida inteira precise ser superado e além de que as constantes vibrações sugestivas da atmosfera mental estão constantemente trazendo pressão para produzir sobre a pessoa. Portanto, de fato a pessoa tem o grande desafio de jogar fora as velhas condições desassistidas. E então, enquanto o esforço individual é preferível, chega uma época nas vidas de muitas pessoas em que uma “mão amiga” ou melhor, uma “mente amiga” é de grande utilidade e ajuda.

 

         Alguém que ajuda mentalmente uma pessoa que precisa de socorro realiza o ato mais justo e válido. Comenta-se muito sobre “interferir com as mentes de outras pessoas” em tratamentos afáveis e válidos, mas em muitos casos realmente existe pouca interferência realizada. O trabalho do ajudante é mesmo no sentido de neutralizar e dissipar as Influências Mentais negativas ao redor da pessoa, e então dando para a pessoa a chance de trabalhar sua própria salvação mental. É verdade que todos devem fazer suas próprias curas, mas ajuda do tipo indicado acima é, certamente, bastante adequada e útil.

 

         Nestes tratamentos de Magia Branca, a pessoa que realiza o procedimento forma a Imagem Mental em sua mente da condição desejada, e então envia suas correntes mentais para a outra pessoa se esforçando para reproduzir a Imagem Mental na mente ou atmosfera de pensamentos do alvo. A melhor maneira de fazer isso é, obviamente, afirmar mentalmente que a condição desejada realmente existe. Isso pode ser muito útil e ajudar outros dessa maneira, e não existe uma boa razão que impeça de ser feito.

 

         E agora pelo lado contrário – Nós gostaríamos que fosse possível evitar mencionar essa forma detestável de manifestação da Influência Mental, mas sabemos que ignorância é inseguro e que é inútil e tolo prosseguir na política de avestruz, que enfia sua cabeça na areia quando é perseguido, acreditando que, ao não enxergar o caçador pelo maior tempo possível, poderá não encontrá-lo. Nós acreditamos ser melhor olhar as coisas de frente, particularmente onde é o caso de “prevenido estar preparado”.

 

         É um fato conhecido por todos os estudantes do Ocultismo que a Magia Negra tem sido frequentemente empregada em todas as épocas para favorecer o egoísmo, objetivo básico de algumas pessoas. Também é conhecido por avançados pensadores atuais que, até mesmo nessa época iluminada, existem muitos indivíduos que não hesitam em usar essa prática detestável para seus próprios objetivos. No entanto, a punição que os Ocultistas conhecem aguarda tais pessoas. Os anais da história estão cheios de registros de várias formas de bruxaria, conjurações e formas similares de Magia Negra. Todas que falam em formas de “colocar feitiços” sobre as pessoas são realmente formas de Magia Negra, aumentadas pelo medo e superstição dos afetados.

         Não é preciso ler a história da bruxaria para perceber que havia, sem dúvida alguma, uma força em ação por trás de toda ignorância e superstição amedrontadora mostradas pelas pessoas naqueles tempos. As que atribuíam-se estar sob influência de pessoas “em aliança com o diabo” realmente há o uso de Magia Negra, ou de uma utilização não adequada da Influência Mental, as duas coisas sendo uma só. Uma análise dos métodos usados pelas “bruxas”, como relatados em suas confissões, nós dá uma pista para o mistério. Essas “bruxas” iriam impor a mente delas sob outras pessoas, ou os animais delas, e mantendo uma imagem mental lá, iria enviar Ondas Mentais que afetavam o bem-estar das pessoas sendo “tratadas adversamente”, o que iria influenciá-las e pertubá-las e eventualmente trazendo doenças. Obviamente, o efeito desses “tratamentos” era bastante aumentado pelo medo extremamente ignorante e superstição mantido pelas massas de pessoas naquela época, pois o medo é sempre um fator que traz enfraquecimento na Influência Mental e as superstições e a credulidade das pessoas fez com que suas mentes vibrassem de tal maneira que as tornaram extremamente passivas para as influências adversas sendo direcionadas contra elas.

 

         Sabe-se que no Voodu da África e em cultos similares entre outras raças selvagens, se pratica Magia Negra entre suas pessoas com grande efeito. Entre os nativos do Havaí, existem certos homens conhecidos como “Kahunas” que oram para curar ou adoecer pessoas, dependendo para qual objetivo eles sejam pagos. Estes exemplos poderiam ser multiplicados se nós tivéssemos o espaço e a disposição para proceder no assunto.

 

         E em nossa terra civilizada há muitas pessoas que aprenderam os princípios da Influência Mental, e que estão usando a mesma para propósitos inadequados, procurando prejudicar outros e acabar com seus empreendimentos, ou ainda tentando trazê-las para os seus próprios pontos de vista e inclinações. O moderno renascimento do conhecimento oculto tem ocorrido em duas linhas. Por um lado, nós vemos e ouvimos o grande poder que a Influência Mental positiva está exercendo entre as pessoas atualmente, curando os doentes, fortalecendo os fracos, encorajando os deprimidos e tornando fracassos em sucessos. Mas por outro lado, o egoísmo detestável e a ambição de pessoas que não tem princípios ao tomar vantagem desta força poderosa da natureza e prostituí-la aos seus próprios fins, sem prestar atenção à voz da consciência ou ao ensinamento de religião e moralidade. Estas pessoas estão semeando ventos cheios de ódio que vão resultar numa colheita assustadora de redemoinhos de vento no plano mental. Elas estão trazendo sob si mesmas dor e miséria no futuro.

 

         Neste ponto, nós gostaríamos de expressar um aviso solene para aqueles que têm, ou vem sendo tentados, a empregar esta força poderosa para propósitos inadequados. As leis do plano mental são que “colhe-se aquilo que planta-se”. A poderosa Lei da Atração age com a exatidão de uma máquina e aqueles que procuram confundir as pessoas na rede da Influência Mental, cedo ou tarde são pegos em suas próprias armadilhas. O Bruxo Negro complica-se em fragmentos. Ele é sugado para o redemoinho de sua própria ação e dragado para as profundezas. Estas não são advertências sem valor, mas um relato de certas leis da natureza, operação no plano mental, que todos devem saber e prestar atenção.

 

         E para aqueles que possam ter ficado chocados com esta menção de existência e possibilidades de Magia Negra, nós dizemos que há uma coisa a ser lembrada, e é que o BEM sempre sobrepõe-se ao MAL no plano mental. Um bom pensamento sempre tem o poder de neutralizar o maléfico, e uma pessoa cuja mente está cheia de Amor e Fé pode combater uma multidão cujas mentes estão cheias de Ódio e Maldade. A tendência de toda natureza é ascendente e em direção ao BEM. E quem coloca-se em direção ao MAL está indo contra a lei da Evolução Espiritual, e cedo ou tarde torna-se vítima de sua loucura.

 

         Então, lembre-se disto, Ondas Mentais encontram entrada apenas nas mentes que estão acostumadas a ter pensamentos similares. Quem pensa em Ódio pode ser afetado por ondas de Ódio, enquanto aquele cuja mente está cheia de Amor e Fé é cercado por uma armadura resistente que repele as ondas invasoras, e faz com que elas sejam derrotadas, ou ainda enviadas de volta aos seus emissores. Maus pensamentos, como galinhas, voltam para casa a fim de repousar. Pensamentos são como bumerangues, com sua tendência de retornar ao emissor. Para o veneno da Magia Negra, a natureza traz o antídoto do Pensamento Benéfico.

História do Dia das Bruxas

 Witch's Broom and Hat. Copyright: Samantha Grandy. ° #witchcraft

 O Dia das Bruxas é anualmente celebrado. Mas como e quando este costume peculiar se originou ? É, como alguma reivindicação, um tipo de adoração de demônio? Ou é isto só um vestígio inocente de alguma cerimônia pagã antiga? A palavra propriamente, “Dia das Bruxas,” tem realmente suas origens na Igreja católica. Vem de uma corrupção contraída do dia 1 de novembro, “Todo o Dia de Buracos” (ou “Todo o Dia de Santos”), é um dia católico de observância em honra de santos. Mas, no século 5 DC, na Irlanda Céltica, o verão oficialmente se concluía em 31 de outubro. O feriado era Samhain chamado (semeie-en), o Ano novo Céltico.

 

Uma história diz isto: Naquele dia, todos aquele que houvesse morrido ao longo do ano anterior voltaria à procura de corpos vivos para possuí-los para o próximo ano. Acreditava-se ser seu para a vida após a morte, (Panati). Os celtas acreditaram em todas as leis de espaço e tempo, o que permitia que o mundo dos espíritos se misturassem com o dos vivos, (Gahagan).

Naturalmente, o ainda vivos não queriam ser possuídos. Então na noite de 31 de outubro, os aldeões extinguiriam os fogos em suas casa. Eles iriam se vestir com fantasias e ruidosamente desfilavam em torno do bairro, sendo tão destrutivos quanto possível, a fim de assustar os que procuravam corpos para possuir, (Panati). Provavelmente, uma explicação melhor de por que os celtas extinguiram o fogo, era para não desencorajar possessão de espírito, mas de forma que todas as tribos Célticas pudessem reacender seus fogos de uma fonte comum, o Druidic era mantido em chamas no Meio da Irlanda, em Usinach, (Gahagan).

Os Romanos adotaram as práticas Célticas como suas próprias. Mas no primeiro século DC, eles abandonaram qualquer prática de sacrifício de humanos a favor de efígies em chamas.
Como convicção em possuir o espírito, a prática de vestir-se bem como fantasmas, e bruxas empreendia um papel mais cerimonial. O costume de Dia das Bruxas foi trazido para a América na 1840, por imigrantes irlandeses fugindo da escassez de comida do seu país. O costume de doce ou travessura não foi originado pelos celtas irlandeses, mas com um novo costume do século europeu chamado Souling. Em 2 de novembro, Dia de Todas as Almas, primeiros cristãos caminhavam de aldeia em aldeia pedindo “bolos de alma,” pedaços quadrados compreendidos de pão com groselhas. Quanto mais bolos de alma os mendigos recebessem, quanto mais orações, eles prometiam dizer rezas em nome dos parentes mortos dos doadores. No momento, acreditava-se que o morto permanecia no limbo por um tempo depois de morte, e aquela oração, até por estranhos, dava passagem de uma alma para céu.

Os da vela na abóbora provavelmente vem de folclore irlandês. Como o conto é informado, um homem chamado Jack, que era notório como um bêbedo e malandro, enganara Satã ao subir uma árvore. Jack então esculpiu uma imagem de uma cruz no tronco da árvore, prendendo o diabo para cima a árvore. Jack fez um acordo com o diabo, se ele nunca mais o tentasse novamente, ele o deixaria árvore abaixo. De acordo com o conto de povo, depois de Jack morrer, ele a entrada dele foi negada no Céu, por causa de seus modos de malvado, mas ele teve acesso também negado ao Inferno, porque ele enganou o diabo. Ao invés, o diabo deu a ele uma brasa única para iluminar sua passagem para a escuridão frígida. A brasa era colocada dentro de um nabo para manter por mais tempo.

Os nabos na Irlanda eram usados como seu “lanternas do Jack” originalmente. Mas quando os imigrantes vieram para a América, eles acharam que as abóboras eram muito mais abundantes que nabos. Então os jack-e-Lanterna na América era em uma abóbora, iluminada com uma brasa.
Então, o Dia das Bruxas foi adotado como favorito “feriado” . Cresceu fora das cerimônias de celtas celebrando um ano novo, e fora de cerimônias de oração Medievais de Européias.

Um Conto de Samhain

 

Lyla sentou-se no chão e olhou para o céu claro, limpo e estrelado. O reflexo da Lua cheia na água fez Lyla pensar numa pérola. Redonda e branca… mas logo as crianças chegaram, e sentaram ao seu redor, interrompendo seus pensamentos. Sorrindo, Lyla olhou para cada uma deles.

 

– ‘Comecemos? Vou contar para vocês a estória de como o Cornudo se sacrifica todos os anos para garantir força à Grande Mãe, para que esta possa vencer o frio do Inverno. Estão prontos?’ As crianças acalmaram-se para ouvir Lyla.

 

– ‘Não foi a muito tempo que aconteceu. O Sol sumia no Oeste, e as aves noturnas já deixavam seus ninhos, umas ameaçando cantar. Debaixo das árvores, correndo para suas tocas, os pequenos animais apressavam-se, fugindo do frio cortante que se faria presente em pouco tempo. Aquela era a época do Cornudo, e só as criaturas mais fortes sobreviveriam a inverno tão rigoroso. O Sol baixou, baixou, até que só se via uma fina linha de separação entre céu e Terra no horizonte, e tudo ficou avermelhado, com um ar mais mágico. E então, a luz se foi. A Lua estava crescente no céu, e um vento gelado começou a correr por entre os troncos seculares das árvores. Ouve-se, agora, o som de uma flauta…som tão límpido e cristalino, que a superfície do lago, antes parada, tremulou ao som da melodia alegre.

Todos os animais da floresta pararam para ouvir o som da flauta, e mesmo as aves noturnas cessaram seu canto orgulhoso. E por entre as árvores, a flauta se fez ouvida em toda a floresta. E mais nada, além do som doce da flauta.

 

Atravessando o lago, um pouco depois do Grande Carvalho, estava a fonte de tal encantamento. Sentado numa pedra coberta de limo, balançando ao som da flauta de bambu, um ser robusto, com tronco e cabeça de homem, pernas cobertas de pêlo, cascos de cavalo e grandes chifres pontiagudos.

Observava a donzela que dançava ao som de sua música, logo à sua frente. Tinha longos cabelos claros, lisos, que escorriam até a altura da cintura. Os fios sedosos acompanhavam os movimentos da dança, pés habilidosos moviam-se descalços sobre a grama. A Deusa nunca havia estado tão bela quanto naquela noite.

 

Os dois brincavam nus, na noite fria da floresta, e alguns animais se juntavam ao redor da clareira. Cansada, a Donzela sentou-se, e olhando para o Cornudo, esperou que a música acabasse. Quando o Deus afastou a flauta de seus lábios, as figuras dos animais e da Donzela desapareceram … meras lembranças. A Deusa agora recolhia-se grávida no Mundo Subterrâneo, guardada por seus familiares, pronta para dar à luz dentro de tão pouco tempo.

 

Era necessário que o Sol Novo nascesse. O Cornudo levantou-se com tristeza e caminhou até o lago, para observar seu reflexo. Já estava velho e fraco, mas ainda continha grande energia … energia necessária para que a Deusa agüentasse o parto que se seguiria em menos de dois meses. Já não podia continuar a viver … a Terra precisava de seu sangue, e o Sol Novo de sua energia.

 

Um grito ecoou em sua mente: a Deusa sofria. Aquele era o momento certo. O Cornudo olhou para os céus, e olhando para a mata, despediu-se de sua casa. Tambores rufaram quando Ele ergueu suas mãos e pronunciou as palavras secretas. Houve uma explosão, e Ele desapareceu.

 

Aqui, numa clareira nas montanhas, já distante da floresta, ouviam-se os tambores de guerra. Uma música rápida e repetitiva tornava o ar agressivo. Também com uma explosão, o cornudo surge no centro do círculo, um olhar decidido em seu rosto.

 

O Velho Cornudo tinha agora em suas mãos uma adaga ritual, e quando Ele a levantou apontada para seu peito os tambores cessaram. Cernunnos fechou os olhos, e o momento se fez silencioso … aqueles segundos duraram milênios … O Cornudo levou a adaga a seu peito, e os tambores voltaram a tocar.

 

Quando a lâmina fria rasgou a carne do Deus, não houve um grito, sequer um sussurro de dor … apenas o som do sangue derramando-se sobre a terra. O Cornudo ajoelhou-se, com calma em seu olhar. Com as próprias mãos, abriu a ferida para que os espíritos recolhessem o sangue.

 

Quando o círculo tornou-se silencioso novamente, e todos os espíritos partiram, o Deus deitou e virou-se para as estrelas, e esperou que a paz voltasse a reinar sobre a floresta. Ainda sentia o sangue escorrendo para fora de seu corpo, e regando o círculo sagrado em que repousaria para sempre.

 

E do solo, ou talvez de lugares além das estrelas mais distantes, elevou-se um cântico, murmurado e pausado … talvez fossem as pequenas criaturas do subsolo, ou ainda as estrelas, despedindo-se de seu Deus.

 

“Hoof and Horn, Hoof and Horn

All that Dies Shall be Reborn.

Corn and Grain, Corn and Grain

All that Falls Shall Rise Again.”

 

O Cornudo morreu sorrindo, sabendo ser a semente de seu próprio renascimento. E Ele pode sentir sua energia retornando ao útero da Grande Mãe, que agora deixava de sofrer… Os espíritos, então, romperam a barreira entre os dois mundos, e caminharam por sobre a Terra, espalhando o sangue e a força do Deus, para que pudéssemos sobreviver através dos tempos difíceis que se aproximavam.’

Lyla limpou uma lágrima que escorria de seu rosto. As crianças ainda ouviam atentas.

 

‘É por isso que os espíritos vêm ao nosso mundo nessa noite tão escura … Eles trazem consigo um pouco do sangue do Deus Cornudo, que só renascerá no Solstício de Inverno. Trazem conselhos, proteção e promessas de que nos irão guiar durante todo o período escuro do ano. Devemos, portanto, saudar os espíritos, porque, sem eles, a semente do renascimento não seria espalhada.

 

Agora vão para a Casa Grande, vamos começar o ritual.’

Lyla deixou que as crianças corressem na frente em direção à Casa Grande. Parou no meio do caminho, e deixou que seus ouvidos escutassem os sons do além. E de algum lugar chegou aos ouvidos de Lyla um cântico… ‘Hoof and Horn, Hoof and Horn…’

E Lyla caminhou para a Casa Grande.

 

Alguns bruxos ainda insistem em comemorar a Roda do Ano pelo hemisfério Norte. Isso porém torna-se totalmente sem sentido, já que a Roda marca os ciclos da Natureza. Porém a escolha depende somente de você.

Princípios da crença

 

O Conselho de Bruxos Americanos crê necessário que se defina a Bruxaria Moderna de acordo com as experiências e necessidades Americanas. Não somos limitados por tradições de outros tempos e outras culturas, e não devemos lealdade a qualquer pessoa ou poder maior que a Divindade manifesta através de nós mesmos. Como Bruxos Americanos, aceitamos e respeitamos todos os ensinamentos e tradições que afirmem a vida, e buscamos aprender de todos eles para dividirmos nosso aprendizado dentro do Conselho.

 

  1. É em tal espírito de acolhimento e cooperação que nós adotamos estes poucos princípios de crença Wiccaniana. Buscando ser inclusivos, não desejamos abrir-nos à destruição de nosso grupo por aqueles que buscam para si o poder, ou a filosofias e práticas contraditórias a tais princípios. Buscando excluir aqueles cujos caminhos sejam contraditórios ao nosso, não desejamos negar participação a qualquer pessoa que esteja sinceramente interessada em nossos conhecimento e crenças, a despeito de raça, cor, sexo, idade, origem cultural ou nacional, ou preferência sexual.

 

  1. Nós, portanto, pedimos a aqueles que buscam identificar-se conosco que aceitem esses poucos princípios básicos:

 

  1. Nós praticamos ritos para nos alinharmos ao ritmo natural das forças vitais, marcadas pelas fases da Lua e aos feriados sazonais.

 

  1. Nós reconhecemos que nossa inteligência nos dá uma responsabilidade única em relação a nosso meio ambiente. Buscamos viver em harmonia com a Natureza, em equilíbrio ecológico, oferecendo completa satisfação à vida e à consciência, dentro de um conceito evolucionário.

 

  1. Nós damos crédito a uma profundidade de poder muito maior que é aparente a uma pessoa normal. Por ser tão maior que ordinário, é às vezes chamado de “sobrenatural”, mas nós o vemos como algo naturalmente potencial a todos.

 

  1. Nós vemos o Poder Criativo do Universo como algo que se manifesta através da Polaridade – como masculino e feminino – e que ao mesmo tempo vive dentro de todos nós, funcionando através da interação das mesmas polaridades masculina e feminina. Não valorizamos um acima do outro, sabendo serem complementares. Valorizamos a sexualidade como prazer, como o símbolo e incorporação da Vida, e como uma das fontes de energias usadas em práticas mágicas e ritos religiosos.

 

  1. Nós reconhecemos ambos os mundos exterior e interior, ou mundos psicológicos – às vezes conhecidos como Mundo dos Espíritos, Inconsciente Coletivo, Planos Interiores, etc. – e vemos na interação de tais dimensões a base de fenômenos paranormais e exercício mágico. Não negligenciamos qualquer das dimensões, vendo ambas como necessárias para nossa realização.

 

  1. Nós não reconhecemos nenhuma hierarquia autoritária, mas honramos aqueles que ensinam, respeitamos os que dividem de maior conhecimento e sabedoria, e admiramos os que corajosamente deram de si em liderança.

 

  1. Nós vemos religião, mágica, e sabedoria como sendo unidas na maneira em que se vê o mundo e vive nele – uma visão de mundo e filosofia de vida, que identificamos como Bruxaria ou o Caminho Wiccaniano.

 

  1. Chamar-se “Bruxo” não faz um Bruxo – assim como a hereditariedade, ou a coleção de títulos, graus e iniciações. Um Bruxo busca controlar as forças interiores, que tornam a vida possível, de modo a viver sabiamente e bem, sem danos a outros e em harmonia com a Natureza.

 

  1. Nós reconhecemos que é a afirmação e satisfação da vida, em uma continuação de evolução e desenvolvimento da consciência, que dá significado ao Universo que conhecemos, e a nosso papel pessoal dentro do mesmo.

 

  1. Nossa única animosidade acerca da Cristandade, ou de qualquer outra religião ou filosofia, dá-se pelo fato de suas instituições terem clamado ser “o único verdadeiro e correto caminho”, e lutado para negar liberdade a outros, e reprimido diferentes modos de prática religiosa e crenças.

 

  1. Como Bruxos Americanos, não nos sentimos ameaçados por debates a respeito da História da Arte, das origens de vários termos, da legitimidade de vários aspectos de diferentes tradições. Somos preocupados com nosso presente e com nosso futuro.

 

  1. Nós não aceitamos o conceito de “mal absoluto”, nem adoramos qualquer entidade conhecida como “Satã” ou “o Demônio” como defendido pela Tradição Cristã. Não buscamos poder através do sofrimento de outros, nem aceitamos o conceito de que benefícios pessoais só possam ser alcançados através da negação de outros.

 

  1. Trabalhamos dentro da Natureza para aquilo que é positivo para nossa saúde e bem estar.