Uma análise desde os primórdios da Ordem dos Templários

Há um ledo engano cometido ao analisar a história e trajetória dos Templários, pois a história, a oficial, foi, e sempre será escrita pelos vencedores. No início os Grão-mestres, mestres e membros do auto escalão templário era, por regra, pertencentes à hierarquia interna, todos iniciados nos grandes mistérios. Isso, iria mudar a partir da gestão do Grão-mestre Bertrand de Blancheford, de 1156 a 1169, que introduziu, de maneira errônea, uma nova prática usando a prerrogativa que o cargo lhe permitia e que causaria danos à conduta e à reputação da Ordem: poder escolher como Mestre do Templo um membro da hierarquia externa que, apesar de toda a experiência em batalha e de ter exercido altos cargos no reino de Jerusalém, não tinha o preparo necessário e o conhecimento iniciático para atuar de maneira satisfatória aos anseios e à verdadeira missão da Ordem. Foi a partir dessa decisão que, de maneira esporádica, mas emblemática, a prática de vícios, por alguns membros da Ordem pertencentes à hierarquia externa, de nepotismo, uma atitude arrogante e prepotente de alguns Mestres do Templo trouxeram à reputação dos Templários uma mácula que ainda hoje mancha de maneira injusta sua história e seus objetivos.

         Grão-mestre Bertrand de Blancheford, de 1156 a 1169

Essa atitude causou indignação na hierarquia interna da Ordem. Talvez por isso, a verdadeira e oculta Ordem não fez nada a respeito da perseguição aos Templários, pois essa seria uma maneira de purificá-la através do elemento fogo, devolvendo a fraternidade Templária aos seus objetivos nobres, com a destruição da apodrecida hierarquia externa. Assim, a Ordem decidiu, de maneira sábia, tornar-se uma sociedade secreta atuando com mais eficácia nos bastidores da história da humanidade.

A relação entre os Templários, Rosacruzes, cátaros e demais Ordens iniciáticas tem algo em comum. Toda informação até agora apresentada nos leva a uma única conclusão: a de que havia uma organização suprema que atuava, e talvez ainda atue, por traz de todas as Ordens citadas. Sempre nos bastidores da história, ela atua em todas as áreas da sociedade em nível mundial com o objetivo principal de reagrupar a Linhagem Merovíngia que, apesar de deposta no século VIII, não se extinguiu, sendo perpetuada em linha direta desde Dagoberto II, Sigesberto IV, Godofredo de Bouillon, Blanchefort, Gisors, Sinclair, Montesquieu, Montpézat, Poher, Luisignan, Plantard, Habsburgo e Lorraine.

CRONOLOGIA DOS REIS DE JERUSALÉM

1099 – 1100 – Godofredo de Bouillon

1100 – 1118 – Baldwin I

1118 – 1131 – Baldwin II

1131 – 1143 – Fulk

1143 – 1162 – Baldwin III

1162 – 1174 – Amalric I

1174 – 1185 – Baldwin IV

1185 – 1186 – Baldwin V

1186 – 1190 – Guy

1192 – 1197 – Henry

1198 – 1205 – Amalric II

1210 – 1225 – John of Brienne

1225 – 1228 – Frederick II

1228 – 1254 – Conrad

1254 – 1268 – Conradin

1268 – 1284 – Hugh III

1284 – 1285 – John I

1285 – 1291 – Henry II

Segundo René Grousset, o rei Balduíno I, era o irmão mais jovem de Godofredo de Bouillon, Duque de Lorraine, que foi o primeiro rei ocidental de Jerusalém, também afirma que essa linhagem seguia uma tradição real fundada sobre a rocha do Sinai e que Balduíno I devia sua ascensão ao trono à Ordem, cujo quartel general ficava na Abadia de Notre Dame do Monte Sinai, em Jerusalém. Imagine o tamanho poder que uma Ordem pode ter a ponto de colocar um rei no trono ou o depôr. Ao longo dos Dossiês Secretos, há várias referências aos Templários e à sua estreita ligação com o Priorado de Sião.

Segundo os documentos da Ordem, devido à volta do controle de Jerusalém para as mãos muçulmanas causada pela derrota em batalha, a Ordem de Sião e os Templários voltaram para França. Após se separar dos Templários em 1188, continuou a exercer um certo controle sobre os Cavaleiros do Templo, mas de maneira velada e autônoma. Já na França, a Ordem de Sião elegeu Jean Gisors como Grão-mestre e adotou para a Ordem o subtítulo de “Ormus”, que é um anagrama.

De acordo com os Dossiês Secretos, a sede da Ordem, a partir de 1306, estava situada na rua de Vienne, e lá havia túneis que se comunicavam, através de passagens subterrâneas, com o cemitério local e a capela subterrânea de SAINT CATHERINE.

Supostamente no Século XVI, a capela ou uma cripta adjacente teria se tornado o local onde eram guardados os arquivos do Priorado de Sião, em trinta cofres.

Na Segunda Guerra Mundial, durante a ocupação alemã, a cidade de Gisors recebeu uma equipe com uma missão especial: ordens provenientes diretamente de Berlim os instruía a realizar escavações arqueológicas sob a Capela de Saint Catherine.

A invasão da Normandia (Dia D) pelas forças aliadas abortou a missão desse grupo de elite criado por Hitler e Heinrich Himler (SS), cujo intuito era procurar e capturar relíquias sagradas pelo mundo. Em 1946, o operário francês Roger Lhomoy, sem motivos aparentes, fez, por iniciativa própria, escavações no local, comunicando ao prefeito de Gisors que havia encontrado uma capela subterrânea contendo treze sarcófagos de pedra e trinta cofres de metal. No entanto, o prefeito não se interessou pela descoberta e tudo foi esquecido temporariamente.

Em 1962, Roger Lhomoy voltou a escavar no local com a aprovação de André Malraux, ministro da cultura francesa. Nada foi encontrado, tudo havia desaparecido, com certeza transferido para outro lugar seguro e secreto, longe de olhos profanos.

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A história secreta por trás dos verdadeiros objetivos da criação da Ordem dos Cavaleiros Templários

Há várias teorias a respeito dos tesouros encontrados pelos Templários e uma delas é que os verdadeiros não foram os artefatos do Templo, mas sim relíquias que pertencem a Jesus Cristo, incluindo os seus ossos.

Um dos maiores  segredos da humanidade é a verdadeira história do Santo Graal e o Priorado de Sião fixou para si mesmo a meta de preservar e registrar a Linhagem de Jesus e a Casa de Davi. Por todos os meios disponíveis, o Priorado de Sião tinha achado e recobrado as relíquias restantes.

Foram muitos os escritores e pesquisadores que estudaram e examinaram as vidas de Jesus e Maria Madalena à procura de pistas para o mistério do Graal. Alguns tentando realizar a pretensiosa tarefa de revisar a Bíblia, querendo corrigir as escrituras, e inevitavelmente, fracassando. O resultado a que chegaram foi de mais perguntas do que respostas.

Não há uma única pista crucial relativa ao mistério do Graal que possa ser explicada satisfatoriamente sob a perspectiva do cristianismo ortodoxo. Na verdade a história do Graal foi cristianizada para ocultar um legado que era completamente pagão.

O cavaleiro Franco Godofredo de Bouillon, fundador do Priorado de Sião, já teria conhecimento da verdadeira origem da Linhagem Merovíngia e de seus segredos. Teria sido esse conhecimento, o motivo do poder da organização, que foi a base que Hugues de Payens usou para fundar e legitimar a Ordem dos Cavaleiros Templários? E essa Ordem seria o braço armado do Priorado de Sião?

Fundada em 12 de junho de 1118, em Jerusalém, por Payens e Geofrey de Saint Omer, chamada de Pobres Cavaleiros de Cristo do Templo de Salomão, a Ordem dos Templários foi criada oficialmente para defender Jerusalém dos infiéis, guardar o Santo Sepulcro e proteger os peregrinos a caminho da Terra Santa.

A história secreta por trás dos verdadeiros objetivos da criação dessa Ordem, longe de ser fantasiosa, como querem crer e afirmar muitos críticos que têm como objetivo apenas auto-afirmar seus egos e provar que são os únicos possuidores da verdade originou-se muito antes das datas oficiais, abrangendo uma gama de assuntos que vão desde o Antigo Testamento, passando por Moisés, a Arca da Aliança, o Rei Davi, a construção do Templo de Salomão, a origem nobre de Jesus Cristo, a origem nobre de Maria Madalena, a Linhagem dos Merovíngios, a descoberta desses segredos por cavaleiros cruzados, a origem do Priorado de Sião até os dias atuais.

Finda a construção do Templo de Jerusalém, segundo as escrituras, Salomão finalmente cumpriu a tarefa que Deus havia delegado a seu pai, Davi, que, por ter manchado suas mãos com sangue, não pôde concluí-la – uma morada definitiva para a Arca da Aliança. O Templo era a casa do Senhor, edificado para a eterna habitação do Senhor, com a presença da Arca e das Tábuas da Lei como testemunhas.

O real valor da Arca não era apenas atribuído ao seu significado religioso, mas com certeza ao conteúdo iniciático e científico contigo provavelmente em pergaminhos, artefatos e tratados a respeito de diversos assuntos, entre os quais biologia, física, arquitetura, engenharia, astronomia, navegação e metafísica, fora do alcance intelectual e teológico dos profanos da época de hoje. Esse conhecimento que remonta a tempos longínquos é a verdadeira Lei de Deus passada a Moisés, no Monte Sinai, pelos setenta anciãos do Sacro Colégio dos Iniciados.

É pouco difundido ( DE MANEIRA PROVIDENCIAL), o fato de Moisés ser iniciado nos Mistérios Antigos, embasados na tradição primordial, conhecimentos que lhe foram passados através de sua iniciação e da prática do oculto no antigo Egito. Essa é a natureza das informações que havia, e provavelmente há, nesses pergaminhos e tratados.

Todo conhecimento obtido ao longo dos séculos por teólogos e cabalistas judeus influenciou e orientou a elite dos Templários, que foi a Jerusalém para encontrar a arca e seu valioso e inestimável conteúdo. A meta era, colocar em prática a verdadeira Lei de Deus, chave dos segredos do universo visando o bem da humanidade.

Essa missão é correlata a procura do Santo Graal, objetivo que durante as décadas seguintes passou a ser alvo do interesse da literatura ocidental. O rei de Jerusalém, Balduíno II (1118-1131), hospedou Hughes de Payens e oito Cavaleiros Templários nos alojamentos da estrebarias do Templo de Salomão, onde ficaram por nove anos. Suas atividades e pesquisas permaneceram, e permanecem secretas. Eles retornaram à Europa vitoriosos e detentores dos grandes mistérios.

Há teorias compartilhadas por vários pesquisadores, que fazem a correlação da volta dos Templários trazendo os novos conhecimentos, com o início das construções das catedrais góticas, só possível por causa das informações sobre arquitetura e geometria sagradas contidas na Arca.

Um grupo secreto, os verdadeiros iniciados dos Templários, formados pela elite da Ordem, dispunha, por meio das informações contidas nas Tábuas da Lei de Deus, do conjunto de conhecimentos que ainda hoje está à frente e fora do alcance da humanidade.

Após o retorno dos Templários, houve não somente a sistematização racional da agricultura, como um avanço em suas técnicas. A arquitetura gótica inovadora embasada na geometria sagrada surgiu repentinamente, o que é no mínimo estranho, pois não houve um processo gradual até atingir o ápice do conhecimento e o pleno domínio de suas técnicas.

Numa visão geral, a repentina febre para construir catedrais, castelos e vários edifícios, quase que simultaneamente, deveria ter por trás um enorme planejamento com objetivo oculto e iniciático. Para isso, era necessário um exército de construtores especializados, engenheiros, arquitetos, escultores e pedreiros.

Até então, construções eram feitas com tecnologia e técnicas rudimentares, se comparadas  aos novos conhecimentos necessários para executar obras como aquelas que estavam sendo feitas, repletas não só de simbologia, mas utilizando a geometria sagrada, conceitos inovadores de edificação, estética e a construção em dimensões verdadeiramente grandes. A questão é, como esses artífices poderiam realizar tal obra? certamente era necessária a criação e a instrução de um novo tipo de construtor que tivesse a inteligência, o preparo e o conhecimento necessários para assimilar as informações não só técnicas, mas também iniciáticas. Esses construtores foram os pedreiros-livres, mais tarde chamados de maçons.

Há um simbolismo oculto nas catedrais construídas na Idade Média. Foram erigidas sete catedrais místicas na Europa, intencionalmente em locais sagrados para os Druídas dedicados a oráculos planetários. Há uma profecia que diz: “Quando os planetas se alinharem na mesma configuração com as catedrais, o tempo de transição da Nova Era terá chegado”.

Um exemplo do simbolismo oculto nas construções dessa época, é a Virgem retratada na fachada ocidental da Catedral de Chartres, que é chamada de Virgini Paritura, que quer dizer: a Virgem que vai dar à luz… Essa estátua não representa Maria ou o conceito bíblico de feminilidade, mas as Deusas arquetípicas da fertilidade e o sagrado feminino. Foram dedicadas ao Deus-Sol; a criança da escultura é Hórus e não Jesus. Outra grande prova de infiltração gnóstica e do oculto na igreja católica, é a Capela de Rosslyn, na Escócia, repleta de simbolismo pagão e construída com base na geometria sagrada.

                                                                 Virgini Paritura

Os Templários tinham vários objetivos além da conquista de Jerusalém e a proteção dos peregrinos que se dirigiam à Terra Santa. Montando seu quartel general nas ruínas do Templo de Salomão, segundo a lenda, encontraram túneis secretos que levavam a tesouros inestimáveis, como uma biblioteca oculta onde estavam guardados segredos de uma antiga Ordem secreta e iniciática da qual o rei Salomão era membro. Além de diversos segredos de construção, arquitetura e navegação. Também descobriram uma passagem secreta só conhecida por iniciados nos mistérios ocultos. Um corredor levava a uma porta de ouro maciço, com as seguintes inscrições:

“Se a curiosidade que aqui voz conduz, desisti e voltai. Se persistirdes em conhecer os mistérios da existência, fazei antes o vosso testamento e despedi-vos do mundo dos vivos”.

De acordo com a lenda, após hesitar, um dos cavaleiros bateu à porta dizendo: “Abri em nome de Cristo” e a porta abriu. Ao entrar o cavaleiro deparou-se com um ambiente de aparência etéria, com uma arquitetura repleta de geometria sagrada, estátuas, colunas, símbolos e um trono imponente feito de ouro, coberto de seda e, sobre ele, um triângulo que, no centro, tinha entalhado em alto relevo a décima letra hebraica YOD. Próximo aos degraus do trono, estava a Lei Sagrada, conjunto de tratados a respeito do que em termos atuais seria: teologia, arquitetura, astronomia, navegação, agricultura, alquimia, geometria sagrada, metalurgia, biologia, física quântica, etc…

Derrocada e maldição

As acusações proferidas contra os Templários eram exatamente as que o rei Felipe queria escutar. Ele enviou vários espiões para assegurar-se da veracidade das acusações e ao mesmo tempo tratava de garantir o apoio do Papa Clemente V, que devia a Felipe a sua tripla coroa, graças a assistência que o rei francês lhe havia prestado. O Papa ainda assim estava indeciso, “pois são tantas e tão graves as acusações contra os Templários, que parece impossível dar-lhes crédito”, escreveu Clemente ao rei. Mas acrescentava: Mesmo assim, desde que os vossos comunicados sobre esse assunto vão ganhando peso e credibilidade… . Em todo o texto o Papa não proibia a abertura de um processo contra os Templários e assim Felipe não perdeu tempo. Na noite de 12 de outubro de 1307, seus oficiais prenderam em toda Europa cerca de 15.000 pessoas, incluindo-se não só os Templários mas também os artesãos e demais trabalhadores de suas possessões e propriedades. O grão-mestre Jacques de Molay foi preso em Paris.
Todos foram interrogados pela Inquisição e torturados por funcionários do rei num esforço para obter tantas confissões quanto possível. É claro que tais métodos brutais obtiveram êxito. De 138 Templários interrogados em Paris no primeiro mês, 123 “confessaram” haver cuspido sobre um crucifixo durante o seu período de iniciação. Muitos outros responderam afirmativamente a diferentes acusações, ainda que sobre a adoração ao diabo as respostas fossem menos coincidentes. Admitiram que em algumas cerimônias secretas adoravam a um certo tipo de ídolo, porém se esse “ídolo” consistia numa caveira humana rodeada de jóias, ou nos restos mortais de algum grão-mestre, ou numa cabeça com três faces
ou ainda numa representação de Baphomet (corrupção do nome Maomet ou Maomé e termo medieval para designar o “gênio do mal”), é algo que restou sem elucidação.
Na verdade, os algozes dos Templários nunca conseguiram encontrar nenhuma figura idolátrica que correspondesse as descrições arrancadas dos torturados quando se investigou os domínios da ordem na França.
Depois de uma demora considerável devido também às investigações preliminares realizadas pela Igreja católica, o processo público contra os Templários teve início em abril de 1310, na cidade de Vienne, ao sul da França. Muitos Templários se retrataram de suas confissões prévias para defender sua ordem. E eles foram então condenados a fogueira como hereges. Isso obrigou os acusados a absterem-se de sua própria defesa, ao mesmo tempo em que os processos judiciais sofriam longas demoras. Desse modo, dois anos depois da Igreja haver-se feito cargo dos processos para provar a veracidade das acusações contra a ordem, o Papa promulgou uma bula proclamando a dissolução dos Templários. Admitiu, paradoxalmente, que a evidência — baseada essencialmente na Vox populi e em
confissões arrancadas sob tortura — não era adequada e nem suficiente para condená-los. Porém, o Santo Padre estava convencido de sua culpabilidade e isso deveria bastar…
A maioria daqueles que haviam confessado e mantido suas declarações foi colocada em liberdade. Quatro dos mais altos postos da ordem, incluindo o grão mestre que havia se retratado de suas primeiras confissões, voltaram a confessar.
Foram condenados a prisão perpétua e a sentença dos quatro alto dignatários foi pronunciada em público, frente a catedral de Notre Dame em Paris. Ocorreu então um fato surpreendente: Jacques de Molay, o grão-mestre templário, dirigiu-se a multidão com estas palavras: Confesso que na verdade sou culpado de maior infâmia… A infâmia de haver mentido… admitindo acusações repugnantes apresentadas contra minha ordem. Declaro, portanto, que a ordem é inocente. Sua
pureza e santidade jamais foram maculadas. No Tribunal eu havia declarado de outra maneira, fi-lo porém por temor às terríveis torturas…Me ofereceram a vida, mas em câmbio da perfídia… A esse preço, a vida não merece ser vivida….
Um companheiro do grão-mestre, Godofredo de Charnay, proclamou também a inocência da ordem. Seus discursos causaram grande impacto na multidão, que na verdade simpatizava com os Templários, e antes que as coisas pudessem tomar um rumo inesperado, as autoridades trataram de levar os quatro
prisioneiros. E uma vez mais, a coroa francesa tomou as rédeas na condução da farsa contra os Templários. O rei Felipe resolveu encerrar de vez com o assunto dos cavaleiros obstinados e na manhã de 19 de março de 1314 foram levados a fogueira ainda proclamando sua inocência. Quando as chamas já envolviam o corpo do grão mestre Molay, ele voltou a cabeça em direção ao local onde se encontrava o rei gritando:
“Papa Clemente, cavaleiro Guillaume de Nogaret, Rei Felipe…Convoco-os ao Tribunal dos Céus antes que termine o ano, para que recebam vosso justo castigo. Malditos…Malditos…Malditos…Sereis malditos até treze gerações…”.
E quase um mês mais tarde morria o Papa Clemente V. Em novembro, desaparecia o rei Felipe, durante uma partida de caça, e seu ministro Nogaret, que havia desempenhado um grande papel de influência na desaparição da ordem, morreu poucas semanas mais tarde, em circunstâncias misteriosas. 

Mais informações : https://www.youtube.com/watch?v=Dq4BcB6nQSU

A expansão

No ano de 1128, a Ordem não recebeu outras coisas senão donativos e aclamações. Sancionada pelo Concilio de Troyes e isentos agora seus membros da ameaça de excomunhão, ela ganhou renome e poder cada vez maiores. Em qualquer parte da Europa em que se encontrasse Hugo de Payens, nobres e reis competiam por contribuir com atenções e presentes a ordem, através da oferta de grandes extensões de terra, granjas, castelos e até mesmo aldeias e povoações inteiras, que agora vinham a se constituir em sua propriedade, além de armas e cavalos.
Poucos anos mais tarde, a Igreja concedeu aos Templários o direito de possuírem seus próprios templos e sacerdotes. Eles foram igualmente isentos do pagamento de dízimos, assim como de impostos seculares, estando somente sujeitos a autoridade papal. E apesar de tudo, a sua independência e riqueza começou a ser mal vista por bispos e sacerdotes ressentidos com o poder dos Templários, o que deu origem a inúmeras disputas. Porém o Papado, dedicado como estava a fortalecer a presença cristã na Terra Santa, sustentou com energia a Ordem, emitindo decretos seguidos para protegê-la. E de fato, todo aquele que
perseguisse os Templários estava sujeito a excomunhão.
Mesmo na derrota sofrida na segunda cruzada, de 1146 a 1150, a ordem respondeu a confiança que lhe fora depositada, batendo-se bravamente e evitando a catástrofe final que a campanha mal conduzida poderia haver acarretado as hostes cristãs. Nos anos seguintes, os Templários combateram em muitas batalhas, algumas, inclusive, provocadas por eles mesmos.
Mas nem todos os grão-mestres templários que se seguiram a Hugo de Payens foram tão altruístas e piedosos como ele. A política tumultuada que imperava na Terra Santa, onde grupos rivais ao interior dos acampamentos cristãos manobravam as tropas sob seu controle, ofereceu grandes oportunidades aos
Templários para que adquirissem poder e reputação e influíssem assim no curso dos acontecimentos. Eles marchavam sob bandeiras e estandartes que proclamavam em latim. Não a nós, Senhor, senão a Ti seja dada toda a glória. E sem dúvida, ao constituir-se como uma comunidade quase autônoma ao interior do cristianismo e, ainda, como ricos terratenentes, os Templários chegaram a gozar de grande fama e glória entre os seus pares cristãos.
Grande parte de seu poder emanava de sua posição como “banqueiros” na Europa e no Oriente Médio. Com seus castelos bem guarnecidos e estrategicamente situados, encontravam-se os Templários em ótima posição para manejar e transladar dinheiro, com um estatuto religioso que oferecia integridade e
garantia. Nas tréguas faziam inclusive negócios com os próprios inimigos muçulmanos, pois esses acreditavam ser prudente ter algum dinheiro invertido com os cristãos para o caso de que os avatares da guerra pudessem terminar em alguma espécie de pacto ou aliança com os europeus. Os reis da Inglaterra, França e outros países da Europa depositavam seus tesouros e riquezas nas arcas dos Templários e, no que não era incomum ocorrer, pediam até mesmo empréstimos a ordem. Um dos devedores reais dos Templários foi Felipe IV da França, chamado de Felipe, o Belo, mais por seu aspecto agradável do que do senso de justiça propriamente. E foi ele, ironicamente, o homem que ocasionou a destruição da ordem em cooperação com o Papa Clemente V. Nessa época, no começo do século XIV, os Templários haviam perdido suas possessões na Terra Santa e os quartéis-generais da ordem foram transferidos para a ilha de Chipre. Mas mantinham ainda um grande poder na Europa. Felipe IV, imerso numa grave crise financeira provocada por ele próprio, resolveu debilitar o poderio da ordem para apropriar-se de suas riquezas. Delineou então um plano para unir os Templários com os Cavaleiros Hospitalários, formando
assim uma única ordem, a dos Cavaleiros de Jerusalém, cujo grão-mestre seria sempre elegido entre os membros da casa real da França. Porém, tanto os Templários quanto os Cavaleiros Hospitalários se opuseram tenazmente a esse plano. Mas Felipe logrou seus intentos através da ajuda de um ex-templário
chamado Esquiu de Florian, que lhe contou terríveis histórias de blasfêmias, perversão sexual e adoração do diabo dentro da ordem.

Orígens

A situação sócio-política que se verificou no Oriente com o incremento do poderio muçulmano obrigou os príncipes europeus a defender os lugares sagrados da Terra Santa da contínua ameaça muçulmana. Para tal nascem as santas cruzadas e, em seguida, as ordens de cavalaria.
A Ordem do Templo ou dos Templários, a mais poderosa e famosa de todas elas, foi fundada no ano de 1118 por Hugo de Payens e, um ano depois, estabelece-se em Jerusalém, com a finalidade de defender os lugares santos.
Originalmente se chamavam a si próprios de soldados pobres seguidores de Cristo e do Templo de Salomão. Formavam um pequeno grupo de cavaleiros que haviam concebido a idéia de defender e proteger os peregrinos que iam a Terra
Santa. O êxito da primeira cruzada em 1099 havia novamente aberto Jerusalém e outros lugares sagrados aos viajantes europeus, porém a rota estava cercada de perigos. Os muçulmanos emboscavam os infiéis em pontos estratégicos, dizimando os sistematicamente. Foi assim que Hugo de Payens, veterano da primeira cruzada, decidiu formar o grupo dedicado a proteção dos peregrinos. E em seguida aos êxitos obtidos, quando conseguiram por diversas vezes surpreender os muçulmanos antes que eles próprios emboscassem as caravanas cristãs, Hugo de Payens e seu
pequeno grupo de cavaleiros organizaram-se como uma ordem religiosa. Ante o Patriarca de Jerusalém, juraram guardar as estradas e caminhos que conduziam aos lugares santos, protegê-los e abandonar a vida mundana para adotar uma existência de castidade, obediência e pobreza, assim como lutar com a mente pura para o verdadeiro e supremo Rei.
Reconhecendo a possível utilidade desse aguerrido grupo de soldados cristãos, Balduino II, rei de Jerusalém, concedeu-lhes parte do palácio real que se erigia próximo ao Templo de Salomão. Esse foi um dos primeiros donativos, do qual
se seguiram muitos, que foi ofertado aos Templários durante os 200 anos de auge da ordem. Dessa maneira, os Templários acabaram se convertendo numa das forças mais poderosas da Europa e foi o seu imensurável poder que, mais tarde, a levaria a destruição.
Ao princípio, os Templários gozaram de grande estima por sua piedade, bravura e desprezo pelos bens materiais. Tinham honra em não trocar nunca seus mantos até que eles se deteriorassem completamente pelo uso ou fossem atravessados pelas armas dos inimigos. Em contraste com os ricos cavaleiros da época, os Templários raramente se asseavam; suas barbas eram espessas e cerradas, assim como seus cabelos, compridos e sujos. São Bernardo de Claraval, fundador da Ordem Cisterciense, foi o patrono dos Templários. Ele não só aprovava a sua conduta e maneira de viver, como recomendou-lhes a prática de ir buscar os cavaleiros excomungados para converte-los a vida devota e disciplinada de sua
ordem. Enviou a Hugo de Payens, o grão-mestre dos Templários, uma carta rogando a cooperação da ordem para reabilitar “os homens ímpios e empedernidos, ladrões e sacrílegos, assassinos, perjuros e adúlteros”, porém que estivessem dispostos a se alistar nas fileiras da cruzada pela liberação da Terra Santa. Alentado assim por um dos mais influentes de seu tempo, Hugo de Payens partiu em direção ao Concilio de Troyes, na França, para assegurar o reconhecimento de sua ordem na Europa.
Ali, sob o patrocínio e proteção de Bernardo, apresentou a regra de sua irmandade, chamada Regra do Templo, que seguia até certo ponto a Regra da Ordem Cistercense. Ela abarcava todos aspectos da Organização dos Templários, modo de vida, deveres, privilégios e rituais. As cópias da Regra existentes hoje em dia são, na verdade, fragmentárias, uma vez que somente os altos oficiais é que conheciam o seu texto completo. E então, para que um grupo de aventureiros se convertesse numa força unificada, consagrada quase que fanaticamente a um objetivo, os seus fundadores acreditaram ser necessário a instituição de um certo cerimonial secreto, único e exclusivo para a sua ordem. Assim, as investiduras — ou iniciações — ocorriam sempre à noite, em uma sala capitular mantida sob custódia armada. Esse segredo, assim como a crença mantida entre os que eram estranhos a ordem, durante os últimos anos da mesma, no sentido de que ele, o segredo, poderia encobrir práticas lascivas e blasfemas, foi também uma das causas de sua destruição.