O sagrado feminino

Durante o século I d.C., a Alexandria1 era um grande centro de atividades esotéricas, teológicas e metafísicas, um verdadeiro amálgama composto de influências de doutrinas herméticas, como a judaica, a mitraica, a zoroástrica e a pitagórica.
Nos primórdios do Cristianismo, a adoração à Deusa/ Mãe chegou ao conhecimento dos cristãos por intermédio de judeus que haviam adotado o neoplatonismo aprendido na Alexandria com base no Paganismo grego.
As pessoas adoravam as estrelas, que acreditavam ser deuses e deusas que regiam o mundo. Para eles, a constelação de Virgo era a Grande Deusa/Mãe que regeu a Era Dourada da civilização chamada Lemuria, que precedeu a de Atlântida. Esta tradição astrológica foi transmitida às culturas pagãs sucessivamente através da história da humanidade e para cada uma delas
havia uma diferente representação mitológica de Virgo, a Grande-Mãe. Nana, Vésper, Ishitar, Deméter, Hecate, Themis, Hera, Astreia, Diana, Cybele, Ísis, Fortuna, Erigone, Sibylla eram algumas delas. Essa divindade era cultuada antes que se tivesse conhecimento dos deuses masculinos da Mitologia Clássica.A adaptação grega de Virgo era Deméter ,que teve a filha Koré seqüestrada por Hades, o deus dos subterrâneos.
A jovem, agora transformada em mulher, passou a chamar-se Perséfone e tornou-se a rainha do senhor das trevas.
Os judeus de Alexandria que adoravam Koré, a deusa grega que passara a chamar-se Perséfone, conseguiram converter a adoração da deusa pagã em uma tradição teologicamente respeitável chamada de Gnosticismo, palavra derivada de Gnose4, dando para a deusa aspectos da simbologia cristã. Embora eles a adorassem como à Virgem Santa, os gnósticos dão a esse culto uma conotação completamente diferente comparada a dos cristãos. Da cultura gnóstica de Alexandria a Deusa-Mãe evoluiu para Maria Madalena.

Na opinião de muitos pesquisadores, os melhores textos gnósticos são de inspiração ou tem a sua origem em Alexandria, que é também a fonte principal dos textos gnósticos que fazem a ligação de Jesus à Maria Madalena. De acordo com esta tradição, foi para Maria Madalena, ao invés de Pedro e os apóstolos masculinos, que Jesus transmitiu sua “doutrina secreta”.
A adoração da Deusa-Mãe, Virgo, sob o título de Ísis, ultrapassou as fronteiras do Egito para Israel e daí para o Império Romano. O culto à Ísis foi difundido no Egito no período dinástico. Do Egito seguiu em direção
ao Norte, para a Fenícia, a Síria e a Palestina, a Ásia Menor, Chipre, Rodhes, Creta, Samos e outras ilhas no mar Egeu e para muitas partes da Grécia, como Corinto e Argos entre outras; chegou em Malta e Sicília e, final-mente, em Roma. No primeiro século a.C., Ísis era talvez a deusa mais popular na Cidade Eterna da qual o culto se difundiu até os limites do Império Romano, inclusive para a Inglaterra.
Na realidade, a adoração da Virgem Maria na Igreja Católica Apostólica Romana e toda a tradição católica têm uma ligação direta com a adoração de Ísis no Egito.
“Imaculada é nossa Senhora Ísis…” As mesmas condições aplicam-se à simbologia da Virgem Maria. As semelhanças estão em títulos, símbolos, ritos e cerimônias.
Em 412 d.C., Ciro tornou-se o bispo de Alexandria e abertamente abraçou a causa de Ísis, a deusa egípcia, transformando-a em Maria, a mãe de Deus. Durante seu bispado, Ciro escreveu com fervor e extensamente contra
a heresia dos nestorianos6 e os condenou no Concílio Ecumênico de Éfesus, na Grécia7. Embora tenha condenado a heresia de Nestório, o Concílio aprovou sua reverência à Virgem Maria. Nestório e seus seguidores foram exilados para o Império Persa e tornaram-se a Igreja
Ortodoxa Assíria do Leste. Assim, o que parece ter sido apenas uma operação de dialética clássica foi muito mais, pois o caminho tinha sido aberto para Maria ser transformada na “Mãe de Deus”, correlata a uma deidade do arquétipo da Deusa- Mãe Ísis, que compartilhou a divindade com o filho Hórus.
Principais decisões do Concílio de Éfesus:
a) Cristo é uma só pessoa e duas naturezas.
b) Definição do dogma da maternidade divina de Maria, contra Nestório. c) Maria é mãe de Deus — “Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela a sua natureza divina, mas porque é por causa dela que Jesus tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, diz-se que o Verbo nasceu segundo a carne”.
d) Condenou o Pelagianismo, de Pelágio, que negava os efeitos do pecado original.
e) Condenou o Messalianismo, que defendia uma total apatia ou uma moral indiferente.

Priorado de Sião

O Priorado de Sião foi criado para proteger um dos maiores segredos da humanidade — a prova de que Jesus e Maria Madalena foram casados e tiveram uma filha. Segundo a “lenda”, esse fato teria gerado uma ilustre linhagem (os Merovíngios), que através dos séculos tornaram-se reis, filósofos, alquimistas, cientistas e políticos de tal importância que influenciaram e interferiram no desenrolar da história do mundo.
A atuação tanto dos descendentes diretos da sagrada família quanto dos membros da Ordem do Priorado de Sião sempre foi e continuará sendo nos bastidores da história. Uma informação como essa já seria suficiente para abalar a estrutura da sociedade como a conhecemos, pois nos confronta com uma possível realidade que faz tremer os alicerces da Igreja Católica, dos Evangélicos e das demais seitas pseudocristãs.
Muito do que tem sido escrito a respeito do Priorado é sempre apresentado de maneira fragmentada e envolto em uma bruma de mistério. Os dogmas e as doutrinas de religiões como o Judaísmo, o Islamismo e o Cristianismo, este último transmutado no que conhecemos hoje como Catolicismo, têm algo em comum: a supressão do elemento feminino como uma parte integrante e de igual valor no que se refere à importância deste elemento na formação e nos conceitos dessas religiões.
A relevância da mulher e seu papel, sem um rompante de feminismo absoluto, foi sendo suprimido pela Igreja Católica ao longo dos primeiros séculos de nossa era até nossos dias. Isso é facilmente comprovado quando analisamos a situação da mulher nessas doutrinas.
A elas foi relegado um papel secundário, sem uma atuação efetiva. Não há, por exemplo, nessas religiões, o ordenamento ao sacerdócio para mulheres, apesar de nos primórdios do Cristianismo a mulher e o sagrado feminino, conceito oriundo do Paganismo e posteriormente do Gnosticismo, tivessem uma atuação e um papel algumas vezes principal ou de igual valor ao masculino.
Isso se aplica ao que aconteceu à Maria Madalena e, também de forma genérica, à Virgem Maria (Mãe de Jesus).