Tradição celta

O celtas como raça, infiltraram-se em quase todos os países da Europa, deixando a maraca de sua presença por onde quer que passassem. Onde o amor da música, a poesia e a linguagem fluente forem encontrados, ali os celtas itinerantes plantaram a sua semente. Onde quer que a forma de vestuário conhecido como “KILT” for vista, ou um instrumento baseado no uso de uma gaita de foles for ouvido, por ali o celta passou também.

Os Mistérios Célticos, como a própria raça, são altamente complexos, com muitas linhas inter-relacionadas de pensamento e uso. Ainda assim, eles permanecem notavelmente fluidos e de longo alcance, com um simbolismo que é, a um só tempo, belo e muito intricado. É possível levar-se toda uma existência para estudar integralmente a Tradição Céltica, mas as formas e arquétipos principais são facilmente contactáveis. São parte do próprio solo britânico e de quem quer que tenha o mais ligeiro traço do sangue de Albion e ainda estão à espera de serem chamados das profundezas da mente racial.

Um dos principais arquétipos dessa tradição é o da cabeça sagrada. Os celtas sempre deram atenção especial a essa imagem. Na tradição cabalística, ela se equipara a Kether, o ponto de manifestação. Toda a Inglaterra está repleta de nomes de lugares e alusões à Cabeça Sagrada: Nag’s Heads, King’s Heads, Horse’s Head e muitas outras variações.

O antigo nome para head (cabeça) era “pate”, comum para designar caminhos e estradas na região rural. Assim, temos: Pate’s Hill, Pate’s Manor, Royal Pate e outros. Cavalos sem cabeça, bem como freiras, salteadores, cocheiros, para nada dizer sobre umas tantas damas da realeza, assombram muitas das estradas, casas e igrejas, e cortar a cabeça foi, por muitos séculos, a forma de morte, sendo, em tempos passados, a significação de sacrifício nos primeiros rituais, e, mais tarde, a forma de punição que se abateu sobre as pessoas acusadas de crimes contra o Estado ou contra a pessoa do monarca.

Durante muito tempo, existiu o costume de expor as cabeças desses traidores em postes acima do Portão da Torre de Londres. A tribo dos Icenis, governada a certa altura pelo famoso Boudicca, era muito dada a podar as cabeças de romanos que se extraviassem, empalando-as em varas que usavam como uma espécie de estandarte selvagem, com o qual iam às guerras.

Talvez o maior dos arquétipos da Cabeça seja Bran, de quem a lenda diz que, embora morto em combate, nem por isso deixou de ordenar que a sua cabeça fosse levada para a sua terra natal. A viagem durou muito tempo, e, ao longo do caminho, a cabeça falou, cantou e discutiu os acontecimentos diários com os antigos companheiros, a cada noite, quando acampavam. Dizem que, por fim, a miraculosa cabeça foi enterrada sob a Torre Branca, que fica dentro da Torre de Londres, de onde guarda o país. Enquanto ela permanecer tranquila, dizem, a terra de Albion permanecerá livre de invasores.

Além de Bran, há um espantoso número de deidades célticas, e a confusão aumenta pelo fato de estarem os celtas divididos em irlandeses – escoceses, galeses-cornualeses, celtas-bretões, e cada grupo tem nomes ligeiramente diferentes para os mesmos deuses. A linha gaélica adotou muitos dos deuses romanos e os misturou alegremente com os próprios deuses. Os celtas das Ilhas Bem-aventuradas, pelo fato de viverem numa ilha, mantiveram formas de cultos muito mais puras. Isto trouxe muitos de seus costumes até nós, no folclore e em cerimônias tradicionais, relativamente pouco alterados. Muitos de seus antigos pontos de reunião, por exemplo, ainda são mantidos como tal, e ainda outros, com o passar dos séculos, tornaram-se locais de reunião de um tipo diferente, sendo, agora, hospedarias ou tavernas, tão caras aos ingleses. Com a morte da antiga fé, esses locais, assim transformados, tornaram-se apenas pontos de repouso durante as viagens longas. O número de hospedarias denominadas “The Green Man”, é portanto, uma legião, referindo-se, na realidade, à memória de Cernunnos, o cornígero deus da fertilidade dos celtas, e refere-se, sem dúvida, também àqueles deuses que vieram antes dele. O nome Cabeça de Cavalo é outra denominação que se refere a Epona, a deusa equina, cujos símbolos outrora cobriam as colinas da Inglaterra e ainda são visíveis em um ou dois lugares, entalhados em greda. Ainda hoje, nas grandes feiras rurais realizadas anualmente em toda a Inglaterra, os grandes cavalos reprodutores são enfeitados com ornamentos singularmente trabalhados e tem as crinas e as caudas trançadas à moda antiga dos cavalos que iam para o sacrifício. A expressão Merrie England ( a Alegre Inglaterra) toma novo significado, quando se sabe que a palavra Merrie quer dizer também, “encantada”, ou parecida com fadas e feiticeiras.

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